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Em busca do sonho perdido

Por – Ataíde Santos

No sábado de carnaval  dentro do metrô enquanto me dirigia a um  shopping da cidade, olhava divertido,  a “algazarra” juvenil , dos muitos garotos e garotas que cantavam,  e  como tribo urbana dava os seus gritos de guerra. Iam à busca de divertimento, da alegria que tanto os caracterizam. Seus rostos pintados, emolduravam os sorrisos largos. Dentre eles, um rapaz de olhos tímidos me fitou e tentou me justificar sua alegria: –– É carnaval tio! – Sorri pra ele, dizendo: “Divirta-se em paz”. Imaginava o que aguardava aquele jovem quando irrompeu uma gritaria  geral em um agudo de  fazer doer os ouvidos e seguida uma música cuja letra consegui decorar de pronto:

” Ô Ibaneis,

mas que vergonha!

O preço do metrô

tá mais caro que a maconha!”

Voltei a rir, a criatividade e juventude me dão inveja. A primeira nunca tive , a segunda perdi há tempos…

Na estação que devia descer, o fiz,  não sem antes, atendendo aos pedidos e sob gritaria geral de  “beija! beija!”; beijar  minha esposa. Saímos sorridentes,  contaminados pela alegria daqueles que agora seguiam suas viagens. Se embalados ou não pela canabis… “Não vem ao caso”. Mas até onde chegarão?

Hoje, terça de carnaval, muitos ainda estarão pelas ruas em busca da felicidade que julgam encontrar no som de musica alta, num beijo na boca, num gole de bebida…

Mas o tempo é implacável! Amanhã é quarta-feira de cinzas, e… a ficha cai: – Aonde o emprego? E a faculdade? E a garota (o) que beijei? – Dúvidas, incertezas, medo, fuga? Será a saída?  Sim, a maioria fugirá. Prá onde?

Pensando para onde iriam os jovens, vi que também adultos, maduros, e velhos fogem do seu presente e do seu futuro. Uns, pelo trabalho diuturno fogem das famílias, outros pelos crimes diversos que se julgam obrigados a praticar, tais como sonegação e corrupção, fogem de seus problemas para abraçar problemas maiores. Outros fogem de sua mediocridade em busca da “imaginada” segurança sob o guarda-chuva do “poderoso” do momento. Mas só lhes  aumenta a mediocridades que se encontra no cidadão não no título que ostenta.

E o futuro? O Brasil que foi cantado em prosa e verso,  gritado mundo afora com “país do futuro” se mostra agora como sua juventude e população. Sem futuro certo. Ao sabor do vento que sopra do norte.

E a juventude? Envelhecerá sem jamais poder ser quem é ou queria ser. Amestrados em escolas onde a força da arma substitui a força dos livros, dançarão nas praças nas próximas eleições, com “patos”, “arminhas” e certamente gritando alienadamente  em favor de seu algoz.

Já não sou jovem, como dito, e hoje sofro e choro pela juventude que em busca de sua liberdade caminha a passos “acelerado(s)”  para perdê-la.