Brasil Holístico Religião

A qualidade da fé

Por Ataíde Santos

 

Já frequentei diversas religiões, dentre todas,  a que mais me apeguei foi a Umbanda.

Durante de dez anos,   participei de uma Organização Umbandista. Deixei de faze-lo  algum tempo depois  por razões diversas. Se antes frequentei igrejas e templos diversos, não senti qualquer aderência ao que ouvia naquelas assembleias. Sobre elas prefiro não continuar falar, mas sobre o que com elas aprendi:

Em uma,  nada que é dito ali deve ser questionado. Na outra, que quanto mais de recursos materiais eu levar para lá, mais eu receberei de Deus. Na outra que a recitação constante de orações ou frase nos promove ascensão espiritual;  e daí por diante.

Na umbanda, ensinaram-me  que devo  amar a natureza, como um todo. Isso envolve tudo: matas, rios , lagos, animais, vegetais, a humanidade …  porque se existe, é importante. Se Deus permite que ali esteja tem um propósito. Que não importa o que eu tenha, com que roupa eu me apresente, posto que Deus não se deixa influenciar pela minha elegância ou pelos  bens que eu possua. O que tenho é D’Ele, apenas usufruo de suas bens; que quando daqui partir, levarei como bagagem apenas  o conhecimento que acumulei e o resultado de todo bem que haja feito.

Considero-me um homem de fé. Fé em Deus, nos Guias e Orixás. Nos Pretos Velhos, Caboclos, e outras entidades que costumam se “apresentar” nas sessões mediúnicas. Mas às vezes, quando digo com muita convicção uma “coisa”, imediatamente me vem uma oportunidade de provar se de fato acredito no que digo. Explico:

Ainda ontem escrevi um texto sobre a confiança que devemos ter no ser humano. Que a maldade ainda não se assenhorou de todos nós etc. Afirmei cada palavra. Creio agora, ter passado com minhas palavras, a amorosidade que,  acredito, não  possuo. Eis a prova: Findada a escrita  do texto acima referido, peguei uma caneca de café e fui à janela para vislumbrar a paisagem; – moro no décimo andar e gosto de ver a cidade iluminada e o movimento dos carros ao longe. De certa forma essa visão noturna me calma muito.  -Olhei para baixo e vi um homem na rua. Tranquilamente andava na rua deserta, era ainda cedo da noite. Trazia às costas uma mochila e pela tranquilidade do andar, vinha satisfeito do que  houvera feito onde esteve. Nesse momento,  um carro, desses modelos novos, se aproxima lentamente e parando,  descem dois ou três passageiros e de armas em punho pedem algo ao pedestre, não sei o que pediram, mas lhes foi entregue;  talvez a carteira ou o celular. Recebido, entraram no carro e lentamente se afastaram levando o fruto de seu “pedido”, suas armas e o peso cármico do seu ato. O pedestre andou mais uns vinte metros e bateu à porta de sua residência, uma mulher abre a porta e ele lhe entrega a  mochila que trazia, ouve algo dela e sai, não sei para onde,  aparentemente como se nada houvesse lhe acontecido.

Durante o assalto eu que assistia a tudo calado, pensei em gritar algo na expectativa de assustar os assaltantes, mais preferi calar a voz, por medo de que assustados atirassem no assaltado.

Se minha voz calou , meus pensamentos gritaram, desejei que um raio lhes caísse sobre o carro impedindo-os de continuarem seu trajeto de “maldade”. Que por qualquer razão estes homens fossem presos.

A qualidade dos meus pensamentos me inquietou, aquela visão me entristeceu e fiquei me indagando o que a “vida estaria me dizendo”. Porque  presenciei aquela cena grotesca…???

Como dito não gosto de algumas de religiões, talvez por não entende-las,  mas tenho comigo alguns ensinamentos que adquiri nessas mesmas agremiações,  como por exemplo o “Não julgueis para que não sejais julgados”. Aprendi que não devo julgar por não possuir os elementos, a sabedoria e o amor necessário para de fato fazer justiça. Que devia deixar a Deus, o Juiz Supremo, esse papel;  e o fiz. Entreguei a Deus, os meus pensamentos, e desejos,  por saber que Ele,  o melhor para todos fará.

E qual é o meu papel nessa situação? Não sei. Apenas escrevo o fato para que se ao menos um humano ler o que tento falar, e daqui tirar algo proveitoso à sua ascensão espiritual, se é que aqui tenha, terei cumprido essa prova.

Assim acredito. Mas será só isso? Terá algo mais a ser feito? Será que de fato vi o que julgo ter visto? Terá sido uma ilusão?  Não sei…