Produção industrial avança 0,6% em abril e surpreende o mercado

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Após três meses consecutivos sem registrar crescimento, a produção industrial teve alta de 0,6% em abril, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O primeiro resultado positivo do ano para o setor foi impulsionado pelos segmentos farmacêutico, com expansão de 19,8%, de veículos, com elevação de 3,4%, e de produtos derivados de petróleo, que avançou 2%. Os dados surpreenderam o mercado, que estimava uma tímida alta de 0,1%.

Apesar da melhora, no acumulado do ano o resultado é negativo em 0,7%. Nos últimos 12 meses, encerrados em abril, a retração é de 3,6%. O gerente de Indústria do IBGE, André Macedo, explicou que, como o comportamento do setor tem sido “errático”, ainda não está claro se ele voltará a crescer de maneira sustentável. “O setor industrial permanece muito longe dos seus patamares históricos. E opera a 19,8% do pico, alcançado em junho de 2013. Há um distanciamento importante”, destacou.

Segundo Macedo, as empresas trabalham no mesmo patamar de janeiro de 2009, enfrentando ociosidade do parque industrial, retração da demanda e desemprego em alta. “Não há uma trajetória definida para a indústria. Há um campo importante para recuperar”, afirmou.

O resultado de abril só não foi melhor porque o segmento extrativo mineral recuou 1,4% em relação ao mês anterior. A retração foi influenciada, explicou Macedo, por paradas programadas de plataformas de petróleo.

Na avaliação do economista-chefe da Opus Investimentos, José Márcio Camargo, a surpresa positiva não era esperada pelo mercado. Conforme ele, o pessimismo que toma conta do país pode não se materializar em dados tão negativos. “Podemos ter tanto uma queda de até 0,2% do Produto Interno do Bruto (PIB) do 2º trimestre como uma alta na mesma intensidade”, afirmou.

Entretanto, ele ressaltou que uma recuperação sustentável do nível de atividade depende da aprovação das reformas no Congresso Nacional, para que o governo reequilibre as contas públicas e os agentes econômicos possam ter previsibilidade. “O cenário ainda é muito incerto. Fazer previsão nesse momento é algo difícil”, alertou.

Antecedentes

Para maio, os primeiros indicadores de utilização da capacidade instalada, vendas de veículos, comércio exterior e consumo de energia sinalizam queda de 1% de acordo com o economista Artur Manoel Passos, do Itaú Unibanco. A instituição esperava variação nula. “A surpresa positiva é ampliada pela revisão para cima de 0,24 ponto percentual do resultado bruto do mês anterior”, comentou.

O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, ressaltou que o crescimento em abril se deu de forma espalhada, com contribuição positiva de 13 dos 24 setores pesquisados, enquanto duas das três categorias registraram aumento da produção. A instituição financeira esperava alta de 1%. Entretanto, ainda não está claro como será o desempenho do setor no próximo trimestre. “Apesar desse resultado, esperamos alguma estabilização, conforme indicado pelos índices de confiança”, disse.

Cai número de falências

Os pedidos de falência no país caíram 8,4% de janeiro a maio deste ano na comparação com igual período de 2016. As falências decretadas tiveram retração de 7%, enquanto os pedidos de recuperação judicial diminuíram 21,7%. Os dados são da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). O levantamento mostra que os indicadores de solvência mantiveram a trajetória de arrefecimento no acumulado em 12 meses. Considerando este cenário, o caixa das empresas deve apresentar recuperação mais forte nos próximos meses, “uma vez superado o período de restrição ao crédito e redução do consumo, entre outros fatores”, disse a Boa Vista SCPC em nota.

Por: Correio braziliense

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