Procuradores rastreiam extensão da “organização criminosa” de Cabral

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A Operação Tatuzão/Tolypeutes, mais novo desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, deflagrado nesta terça-feira (14/3), atingiu outra secretaria estratégica do ex-governador do estado Sérgio Cabral (2007 a 2014). Após a Operação Calicute, de novembro de 2016, levar para a prisão Hudson Braga, secretário de Obras do peemedebista, para o presídio de Bangu 8, desta vez o alvo é a área de Transportes.

Luiz Carlos Velloso, subsecretário de Transportes no Governo Cabral, foi preso preventivamente pela Tatuzão. Segundo o site do Governo do Rio, Velloso agora exerce a função de subsecretário de Turismo do estado.

A nova etapa da Lava Jato capturou também o diretor de Engenharia da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos), Heitor Lopes.

“Estamos trabalhando para ver a extensão da organização criminosa”, afirma o procurador Sérgio Pinel, da força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

Uma das fases da Calicute pegou a secretaria de Obras. Nesta terça-feira, o alvo foi a secretaria de Transportes. É possível que a operação atinja outras secretarias do governo Cabral?

Estamos trabalhando para ver a extensão da organização criminosa. Não dá para dizer se ela limitou-se à secretaria de Transportes e à secretaria de Obras. Mas também não dá para dizer que se estendeu a outras. As investigações permanecem.

A Calicute desvendou inúmeros pagamentos de propina em espécie. Dificulta a localização do desvio?

Com certeza dificulta. Isso é, na verdade, um dos motivos da prisão preventiva. Está sendo investigado o crime de lavagem de dinheiro, que é um crime permanente. Até agora a gente não sabe onde esse dinheiro foi parar exatamente, porque o pagamento era em espécie, então, o dinheiro permanece sendo lavado. Está em local incerto.

Como se deu o pagamento de propina na Operação Tolypeutes?

Os fatos ainda estão em investigação pelo Ministério Público Federal, mas tudo indica o pagamento de percentuais da obra para esses dois agentes públicos que foram presos. Os percentuais de 0,25% e 0,15%, estamos investigando quanto era para quem. Os pagamentos ocorriam de diferentes formas. Parte das vezes era no local de trabalho dos agentes públicos. Parte das vezes era nas empresas. No local de trabalho, é possível que algum pagamento tenha ocorrido, inclusive, em canteiro de obra. Mas isso ainda está em investigação.

Empresas do diretor de Engenharia da Riotrilhos, Heitor Lopes, também são alvo desta fase.

Essa é uma outra linha a ser investigada, porque o Heitor tinha uma empresa que era contratada de uma subcontratada de uma das empresas do Consórcio. Também tinha uma outra empresa que era subcontratada, que era da esposa dele. A gente está investigando se isso não foi, na verdade, uma forma para fazer pagamento de propina.

Por: Metrópoles

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