Prisão de Rodrigo Rocha Loures em Brasília deixa o Planalto em alerta

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Pouco depois das 7h de ontem, chegou à Superintendência da Polícia Federal, no Setor Policial Sul, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), acusado pela Procuradoria-Geral da República de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Com prisão preventiva determinada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), Loures está sozinho em uma cela de 9m2, com um beliche e uma cama. Não há janelas, tevê, pia ou chuveiro. Amanhã, Loures deverá ser transferido para a Papuda.

A prisão deixou o Planalto em alerta, já que Loures foi assessor direto do presidente Michel Temer. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, no pedido de prisão, que Loures é “homem de total confiança” e “verdadeiro longa manus” do presidente. O pedido de prisão da PGR foi feito na tarde de quinta-feira.

Temer, que havia chegado de São Paulo na madrugada de ontem, voou de volta para a capital paulista às 10h30, depois de tomar conhecimento da prisão do ex-assessor. Temer chegou pouco antes de meio-dia e foi diretamente para seu escritório pessoal, em um prédio comercial. Reuniu-se ali com o advogado, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, responsável pela defesa do presidente.

O advogado de Loures, Cezar Bittencourt, afirmou, na sexta-feira, que o objetivo da prisão é “forçar uma delação”, o que, de acordo com o defensor, seu cliente não pretende fazer. Bittencourt estava em Curitiba quando a PF prendeu Loures e pretendia vir para Brasília ontem mesmo, mas perdeu dois voos. Loures recebeu visita de outros dois advogados ontem pela manhã. A defesa pretende entrar amanhã com recurso contra a prisão.

Janot já havia pedido anteriormente a prisão de Loures, que foi negada por Fachin, relator da Lava-Jato no STF. O ministro explicou, ao se decidir pela prisão, que não pôde fazer isso antes porque Loures exercia o mandato de deputado — ganhou assento na Câmara em fevereiro, quando Osmar Serraglio (PMDB-PR) tornou-se ministro da Justiça. No domingo passado, Serraglio foi substituído por Torquato Jardim na pasta, por determinação de Temer. Foi-lhe oferecido o Ministério da Transparência, cargo ocupado antes por Jardim, mas Serraglio não aceitou. Voltou à Câmara, o que fez Loures perder o mandato. Na nova decisão, Fachin argumentou que “a prisão é imprescindível para interromper o cometimento de crimes”.

Gravações

Loures foi gravado em conversas com o empresário Joesley Batista, em que demonstram, para a PGR, tráfico de influência. Ele foi flagrado em uma das ações controladas da PF recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS, que seria parte de uma propina a ser paga a ele e a Temer. O presidente e Loures foram gravados pelo empresário Joesley Batista, dono da holding J&F, que acusa ambos de cobrarem propina em troca de favores no governo. Eles negam as acusações.

Temer é investigado em um inquérito no STF. A expectativa, agora, é de que a PGR acelere a apresentação de denúncia contra o presidente para esta semana. Caso a denúncia seja aceita pelo STF, Temer se tornará réu e será afastado do cargo, o que depende, porém, de autorização da Câmara dos Deputados. São necessários 431 votos, entre os 513 deputados, para que isso ocorra. Avalia-se também, sa prisão de Loures influenciará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, na terça-feira, retomará o julgamento da ação que pode levar à cassação da chapa Dilma Rousseff-Temer (leia nas páginas 4 e 5).

Para assessores próximos de Michel Temer, Janot tem sido irresponsável nas acusações a Temer, omitindo, nas gravações e e-mails trocados entre Loures e Batista, trechos que inocentam o presidente.

Métodos nefastos

O ministro Edson Fachin vê fortes demonstrações de crimes nas ações de Loures. “O agente aqui envolvido teria encontrado lassidão em seus freios inibitórios e prosseguiria aprofundando métodos nefastos de autofinanciamento em troca de algo que não lhe pertence, que é o patrimônio público”, afirmou o ministro Fachin, em sua decisão. Ele considerou Rocha Loures uma personalidade com influência no cenário político nacional, sendo, “até pouco tempo, assessor do presidente Michel Temer, pessoa de sua mais estrita confiança, como declarado em áudio captado por Joesley (Batista, da JBS)”.

Por: Correio braziliense

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