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Rollemberg: Nosso governo será um governo de grandes entregas

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ROLLEMBERG AO 247: ‘É PRECISO REPENSAR O ESTADO’
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Em entrevista ao 247, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, do PSB, fala da difícil situação fiscal que herdou e defende uma reinvenção completa do setor público; “hoje, o Estado vive para ele próprio, e não para a sociedade”, diz Rollemberg, lembrando que 80% de suas receitas visam arcar com despesas do funcionalismo; nos próximos dias, ele pretende encerrar diversas greves de servidores e também lançar uma série de parcerias público-privadas; “eu não vou ser o governador do ajuste fiscal, embora ele seja importante”, diz Rollemberg; “aqui haverá grandes realizações e muitas entregas já estão acontecendo”; confira a íntegra

Brasília 247 – De todos as unidades da Federação, o Distrito Federal deveria ser, em tese, a mais simples de se administrar, em razão do seu próprio orçamento, das transferências de recursos federais e da pequena extensão geográfica. No entanto, ao longo dos anos, com as gestões de Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, o setor público se agigantou, deixando pouquíssima margem de manobra para os governantes. No início deste ano, quando Rodrigo Rollemberg, do PSB, assumiu o cargo, a situação era caótica. “Tínhamos um buraco de pelo menos R$ 6,5 bilhões no orçamento e foi um milagre chegar até aqui sem atrasar salários”, disse ele, em entrevista exclusiva ao 247, na última sexta-feira.

Na conversa com os jornalistas Leonardo Attuch e Tereza Cruvinel, Rollemberg defendeu uma reinvenção completa do setor público. “Hoje, o Estado vive para atender às suas próprias necessidades – e não para servir à sociedade”, disse o governador, lembrando que 80% das receitas estão comprometidas com os pagamentos dos servidores. “Esse modelo se esgotou”.

Confira, abaixo, os melhores trechos da entrevista:

247 – Qual foi o quadro encontrado neste primeiro ano de governo e quais são as perspectivas para 2016?

Rodrigo Rollemberg – Nós encontramos o Distrito Federal praticamente quebrado, com uma dívida de R$ 3 bilhões, de anos anteriores, e um buraco no orçamento de R$ 3,5 bilhões. Isso exigiu de nós um esforço enorme, que é o que vai garantir a retomada dos serviços e dos investimentos. Conseguimos reduzir o custeio da máquina em R$ 1 bilhão.

247 – Como isso foi feito?

Rollemberg – Reduzimos as secretarias de 38 para 17, o que permitiu cortar milhares de cargos comissionados. Foram mais de 5 mil. Além disso, reduzimos frotas de veículos, consumo de combustíveis, além de várias outras despesas operacionais. Também fizemos um Refis, que nos permitiu arrecadar mais R$ 253 milhões e conseguimos ainda utilizar recursos do superávit Instituto de Previdência, o que nos permitiu pagar os salários dos servidores.

247 – A fase de ajustes então passou?

Rollemberg – Nós tínhamos um cenário muito sombrio, no início do ano, mas, agora, no fim de 2016, temos todos os servidores com os salários em dia e que também terão o décimo-terceiro em dia. O que é quase um milagre, diante do quadro que encontramos.

247 – Mas hoje o GDF convive com greves generalizadas…

Rollemberg – Há greves porque tivemos que suspender o aumento previsto para setembro, por total impossibilidade de pagar, mas são greves que estão se encerrando. Isso vai nos permitir entrar no ano de 2016 numa situação muito melhor. Agora, mais do que simplesmente pagar servidores, é também muito importante reinventar o Estado.

247 – Como assim?

Rollemberg – Hoje, o Estado vive para atender às suas próprias necessidades e não para servir à sociedade. Isso é marcante aqui no Distrito Federal, onde 80% das receitas estão comprometidas com os servidores. Essa lógica precisa mudar. Nos próximos dias, já iremos lançar uma série de parcerias público-privadas na saúde, nos transportes e em vários setores da administração – o que nos permitirá ampliar a prestação de serviços, num ambiente de recursos escassos.

247 – Então o seu discurso não será o do ajuste fiscal permanente?

Rollemberg – De maneira alguma. Não serei o governador do ajuste fiscal. O ajuste é importante, eu diria até que é um pressuposto básico da administração, mas não é um fim em si mesmo. Para dizer a verdade, já estamos tendo muita entrega. Nós, por exemplo, já entregamos mais de 3 mil apartamentos, mas muitos não sabem disso porque não tenho recursos para investir em publicidade. Nosso governo será um governo de grandes entregas. E vamos resolver problemas que envergonham Brasília há muitos anos, como o lixão da Estrutural, que será substituído por um aterro.

247 – A economia do Distrito Federal gira em torno do setor público, porque não se desenvolveram vocações econômicas fortes. Como o sr. pretende atacar essa questão?

Rollemberg – Nós teremos aqui vários eixos de desenvolvimento. Um dos mais importantes será o da ciência e tecnologia e as startups terão grandes incentivos para se implantar no Distrito Federal. Brasília já é um dos principais mercados de produtos de tecnologia e tem tudo para atrair mais empresas. Além disso, não se pode deixar de lado a tecnologia também na área agrícola. Já temos aqui a Embrapa, maior centro de pesquisas em agricultura tropical do mundo, que pode ser a empresa âncora para o surgimento de novas empresas de biotecnologia. Outra vocação importante é o turismo. Temos agora um dos melhores aeroportos do País e Brasília, com sua beleza e sua arquitetura, tem tudo para se tornar um dos principais centros de eventos do País. Para isso, vamos melhorar nossa infraestrutura para convenções. Além disso, estamos desenvolvendo o projeto da orla do lago, que tornará Brasília ainda mais atrativa para os moradores e visitantes [Neste ano, o GDF derrubou as cercas dos moradores que ocuparam áreas públicas e se apropriaram da orla do Lago Paranoá]. E já em 2016 teremos aqui mais de 10 jogos do futebol olímpico na Capital Federal. Outro ponto importante é o Meio Ambiente. VaROLLEMBERG AO 247: ‘É PRECISO REPENSAR O ESTADO’
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Em entrevista ao 247, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, do PSB, fala da difícil situação fiscal que herdou e defende uma reinvenção completa do setor público; “hoje, o Estado vive para ele próprio, e não para a sociedade”, diz Rollemberg, lembrando que 80% de suas receitas visam arcar com despesas do funcionalismo; nos próximos dias, ele pretende encerrar diversas greves de servidores e também lançar uma série de parcerias público-privadas; “eu não vou ser o governador do ajuste fiscal, embora ele seja importante”, diz Rollemberg; “aqui haverá grandes realizações e muitas entregas já estão acontecendo”; confira a íntegra
8 DE NOVEMBRO DE 2015 ÀS 10:13

Brasília 247 – De todos as unidades da Federação, o Distrito Federal deveria ser, em tese, a mais simples de se administrar, em razão do seu próprio orçamento, das transferências de recursos federais e da pequena extensão geográfica. No entanto, ao longo dos anos, com as gestões de Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, o setor público se agigantou, deixando pouquíssima margem de manobra para os governantes. No início deste ano, quando Rodrigo Rollemberg, do PSB, assumiu o cargo, a situação era caótica. “Tínhamos um buraco de pelo menos R$ 6,5 bilhões no orçamento e foi um milagre chegar até aqui sem atrasar salários”, disse ele, em entrevista exclusiva ao 247, na última sexta-feira.

Na conversa com os jornalistas Leonardo Attuch e Tereza Cruvinel, Rollemberg defendeu uma reinvenção completa do setor público. “Hoje, o Estado vive para atender às suas próprias necessidades – e não para servir à sociedade”, disse o governador, lembrando que 80% das receitas estão comprometidas com os pagamentos dos servidores. “Esse modelo se esgotou”.

Confira, abaixo, os melhores trechos da entrevista:

247 – Qual foi o quadro encontrado neste primeiro ano de governo e quais são as perspectivas para 2016?

Rodrigo Rollemberg – Nós encontramos o Distrito Federal praticamente quebrado, com uma dívida de R$ 3 bilhões, de anos anteriores, e um buraco no orçamento de R$ 3,5 bilhões. Isso exigiu de nós um esforço enorme, que é o que vai garantir a retomada dos serviços e dos investimentos. Conseguimos reduzir o custeio da máquina em R$ 1 bilhão.

247 – Como isso foi feito?

Rollemberg – Reduzimos as secretarias de 38 para 17, o que permitiu cortar milhares de cargos comissionados. Foram mais de 5 mil. Além disso, reduzimos frotas de veículos, consumo de combustíveis, além de várias outras despesas operacionais. Também fizemos um Refis, que nos permitiu arrecadar mais R$ 253 milhões e conseguimos ainda utilizar recursos do superávit Instituto de Previdência, o que nos permitiu pagar os salários dos servidores.

247 – A fase de ajustes então passou?

Rollemberg – Nós tínhamos um cenário muito sombrio, no início do ano, mas, agora, no fim de 2016, temos todos os servidores com os salários em dia e que também terão o décimo-terceiro em dia. O que é quase um milagre, diante do quadro que encontramos.

247 – Mas hoje o GDF convive com greves generalizadas…

Rollemberg – Há greves porque tivemos que suspender o aumento previsto para setembro, por total impossibilidade de pagar, mas são greves que estão se encerrando. Isso vai nos permitir entrar no ano de 2016 numa situação muito melhor. Agora, mais do que simplesmente pagar servidores, é também muito importante reinventar o Estado.

247 – Como assim?

Rollemberg – Hoje, o Estado vive para atender às suas próprias necessidades e não para servir à sociedade. Isso é marcante aqui no Distrito Federal, onde 80% das receitas estão comprometidas com os servidores. Essa lógica precisa mudar. Nos próximos dias, já iremos lançar uma série de parcerias público-privadas na saúde, nos transportes e em vários setores da administração – o que nos permitirá ampliar a prestação de serviços, num ambiente de recursos escassos.

247 – Então o seu discurso não será o do ajuste fiscal permanente?

Rollemberg – De maneira alguma. Não serei o governador do ajuste fiscal. O ajuste é importante, eu diria até que é um pressuposto básico da administração, mas não é um fim em si mesmo. Para dizer a verdade, já estamos tendo muita entrega. Nós, por exemplo, já entregamos mais de 3 mil apartamentos, mas muitos não sabem disso porque não tenho recursos para investir em publicidade. Nosso governo será um governo de grandes entregas. E vamos resolver problemas que envergonham Brasília há muitos anos, como o lixão da Estrutural, que será substituído por um aterro.

247 – A economia do Distrito Federal gira em torno do setor público, porque não se desenvolveram vocações econômicas fortes. Como o sr. pretende atacar essa questão?

Rollemberg – Nós teremos aqui vários eixos de desenvolvimento. Um dos mais importantes será o da ciência e tecnologia e as startups terão grandes incentivos para se implantar no Distrito Federal. Brasília já é um dos principais mercados de produtos de tecnologia e tem tudo para atrair mais empresas. Além disso, não se pode deixar de lado a tecnologia também na área agrícola. Já temos aqui a Embrapa, maior centro de pesquisas em agricultura tropical do mundo, que pode ser a empresa âncora para o surgimento de novas empresas de biotecnologia. Outra vocação importante é o turismo. Temos agora um dos melhores aeroportos do País e Brasília, com sua beleza e sua arquitetura, tem tudo para se tornar um dos principais centros de eventos do País. Para isso, vamos melhorar nossa infraestrutura para convenções. Além disso, estamos desenvolvendo o projeto da orla do lago, que tornará Brasília ainda mais atrativa para os moradores e visitantes [Neste ano, o GDF derrubou as cercas dos moradores que ocuparam áreas públicas e se apropriaram da orla do Lago Paranoá]. E já em 2016 teremos aqui mais de 10 jogos do futebol olímpico na Capital Federal. Outro ponto importante é o Meio Ambiente. Vamos fazer o maior programa de plantio de árvores da história do Distrito Federal.

247 – Nesta semana, houve uma crise na Segurança Pública, com a saída do secretário Arthur Trindade após um embate com o chefe da PM, Florisvaldo César. Um dos principais jornais da Capital noticia que a PM derrubou o secretário e alguns comentaristas dizem que a autoridade do governador foi comprometida. Qual é a situação hoje na Segurança?

Rollemberg – O que interessa para a população são os resultados. Neste ano, nós implantamos no Distrito Federal o programa Pacto pela Vida e os resultados foram muito positivos. A taxa de homicídios caiu 14% em menos de um ano, num dos melhores resultados do País. Isso sem falar na redução de roubos e outros crimes. Houve um desentendimento, lamentei a saída do secretário, mas o que importa é preservar as políticas públicas e melhorar os indicadores de segurança. O que certamente iremos conseguir.mos fazer o maior programa de plantio de árvores da história do Distrito Federal.

247 – Nesta semana, houve uma crise na Segurança Pública, com a saída do secretário Arthur Trindade após um embate com o chefe da PM, Florisvaldo César. Um dos principais jornais da Capital noticia que a PM derrubou o secretário e alguns comentaristas dizem que a autoridade do governador foi comprometida. Qual é a situação hoje na Segurança?

Rollemberg – O que interessa para a população são os resultados. Neste ano, nós implantamos no Distrito Federal o programa Pacto pela Vida e os resultados foram muito positivos. A taxa de homicídios caiu 14% em menos de um ano, num dos melhores resultados do País. Isso sem falar na redução de roubos e outros crimes. Houve um desentendimento, lamentei a saída do secretário, mas o que importa é preservar as políticas públicas e melhorar os indicadores de segurança. O que certamente iremos conseguir.

 

 

 

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