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Lula: "Internet nos dá alternativa de informação"

: Em entrevista a blogueiros, ex-presidente reafirmou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff; “Ela é a melhor pessoa para vencer as eleições e conduzir o governo”, disse; “Eu já cumpri minha tarefa”; Lula criticou a mídia familiar e tradicional, que promoveu um “massacre apoteótico” em torno da AP 470; “Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros”, disse; sobre a indicação de Joaquim Barbosa para o STF, justificou: “Eu queria um advogado negro na Suprema Corte”; petista citou interesses políticos sobre Petrobras, “de gente que nunca quis CPI para nada”; questionado sobre ligações de Andre Vargas com doleiro, disse que parlamentar “tem de se

 

247 – Três anos depois de ter saído da Presidência da República, Lula concedeu na manhã desta terça-feira 8 entrevista a blogueiros do País na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Em novembro de 2010, ele foi o primeiro presidente a conceder coletiva a blogueiros. Logo de saída, o ex-presidente pediu aos entrevistadores que contribuam para “acabar com essa boataria toda” e cravou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff: “Ela é disparadamente a melhor pessoa para ganhar as eleições”, disse. “Eu já cumpri minha tarefa, já me dou por realizado”, acrescentou.

Abaixo, as principais declarações de Lula, sobre diversos temas:

PETROBRAS – Sobre a Petrobras, o petista mencionou interesses políticos de quem quer criar a CPI no Congresso – gente que “nunca quis criar CPI, para nada” – e afirma que “não adianta comparar” o valor que a empresa tem hoje e durante o governo FHC. “Se ela vale R$ 98 bilhões hoje, ela valia R$ 15 bilhões durante o governo FHC”, lembrou Lula. “O que as pessoas não aceitam? Que a gente fez o regime de partilha”, acrescentou, sobre o modelo de extração de petróleo adotada para o pré-sal. “E muitos desses queriam privatizar a Petrobras há pouco tempo”, atacou ainda o ex-presidente.

Lula reclamou mais ações do PT e de setores do governo em defesa da atual gestão. “Tem de levantar a cabeça e enfrentar para valer o debate político”, conclamou. “Por exemplo, cadê o blog da Petrobras, que foi tão importante em 2009?”, perguntou Lula, referindo-se ao período em que a estatal reproduzia em sua página na internet pedidos de entrevistas de jornalistas. Era a forma, na ocasião, de furar bolhas de especulação feitas por meio da mídia. O ex-presidente comentou sobre a recente queda nas ações da Petrobras: “Bolsa é assim mesmo. Mas ela não pode ser medida só pela bolsa, gente. Ela tem que ser reconhecida por seu conhecimento tecnológico”.

CRESCIMENTO – “O País não está crescendo ao ritmo de 5% ao ano, mas faz onze anos que esse governo gera empregos e aumenta a massa salarial. Em que lugar do mundo isso está acontecendo?”, questionou. Ele recordou seu tempo de sindicalista, “quando a inflação era de 80% ao mês, não era ao ano não”, frisou. “Mas agora vejo o mesmo ministro daquele tempo (Maílson da Nóbrega) reclamando que a inflação está indo para o topo da meta. Ora, eu gostaria que a inflação ficasse em 2%, mas prefiro que se crie empregos do que, como pediram alguns, haja desemprego para combater a inflação”.

Lula foi além. “Hoje dizem que falta mão de obra qualificada”, registrou. “Que ótimo, porque vinte anos atrás engenheiro tinha de trabalhar fora do país, não tinha o que fazer aqui dentro. Agora, precisamos formar engenheiros”. Ainda falando sobre a economia brasileira, o petista disse que “a imprensa não sabe o que está acontecendo no País”. Ele ressaltou que a economia está aquém do que ele gostaria, e do que Dilma gostaria, e questionou: “mas quem está na frente do Brasil? O que nós fizemos em 11 anos, algumas revoluções não fizeram em 20”, declarou.

CAMPOS – “Tenho uma belíssima relação com o [pré-candidato à presidência] Eduardo Campos, e já tinha uma boa relação com o avô dele, Miguel Arraes. Sou agradecido por tudo o que ele fez no meu governo. Eu lamentei que ele tenha se afastado da base para ser candidato da oposição. Eu não entendo por que ele adiantou o processo. A Marina eu entendo, porque me lembro das divergências que havia quando ela fazia parte do meu governo, o Eduardo eu não compreendo”.

ANDRÉ VARGAS – “Ele tem que explicar para a sociedade, porque não tem sentido. Ele é vice-presidente de uma instituição importante, a Câmara dos Deputados, e eu acho que quando você está num cargo desse, você tem que ser exemplo. Eu espero que ele consiga provar e convencer a sociedade que não tem nada além da viagem [com o doleiro Alberto Youssef], o que já é um erro. Eu espero, eu torço, porque quem paga o pato é o PT”.

SAÚDE – Questionado sobre os problemas na área da saúde, Lula foi firme ao dizer que “não existe possibilidade de dar saúde de qualidade sem recursos”. A declaração foi feita depois de uma crítica sobre o fim da CPMF. “A saúde custa caro, o médico custa caro, precisa de equipamentos e laboratórios para que todos tenham acesso. E o SUS é motivo de orgulho para o País”, disse o petista. Ele criticou ainda que só são divulgadas “coisas ruins” da saúde. “Só vão atrás de quem está morrendo, ninguém tira foto de quem sai com vida. Mas tem muita coisa boa na saúde também”, disse.

ELEIÇÕES NO RIO – Ao responder uma pergunta feita pelo Twitter sobre as eleições no Rio de Janeiro, Lula afirmou, sobre a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) no estado: “Eu acho que é para valer”. O ex-presidente, que ressaltou ter uma “profunda relação” com o candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão, acrescentou que Lindbergh “não tem nada a perder, só tem a ganhar”. “Ele acha que é o momento dele, e eu acho que ele é um candidato bom, pode tomar cuidado que ele vai crescer e pode até ganhar as eleições”, analisou.

CRÉDITO – Lula também comparou o acesso de crédito que o País tem hoje e tinha em 2002, quando ele venceu pela primeira vez as eleições presidenciais. “Em março de 2002, o Brasil só tinha R$ 380 bilhões disponibilizados para crédito em todo o sistema financeiro. Hoje, esse mesmo Brasil tem R$ 2,7 trilhões. Hoje, o pobre consegue chegar no banco e pegar dinheiro sem ser visto como bandido. Esse Brasil nunca ficou tão orgulhoso de si como nos últimos 11 anos”, disse.

REFORMA POLÍTICA – O ex-presidente apresentou suas ideias para uma reforma política. “Estou convencido de que só uma Constituinte exclusiva pode fazer a reforma política”, cravou ele. “Eu sinceramente acho que não tem outro jeito”, acrescentou. “Esse Congresso não fará, não tem condições de fazer, seria contrariar sua natureza”, opinou Lula. Para ele, “a reforma política é a mais importante de todas”. O petista defendeu que é preciso “mudar o sistema de representação” no País.

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA – Lula foi específico em defender o financiamento púbico de campanhas, cláusula de barreira para a criação de partidos — “o que não pode é meia dúzia de pessoas criarem o seu” – e o conceito de um voto por cidadão. Com isso, Estados pequenos perderiam representação na Câmara dos Deputados, mas os maiores como São Paulo e Minas teriam suas bancadas aumentadas. “Isso hoje não passa porque quem está lá está acostumado assim, mas essa regra, vigente até hoje, é do tempo do Geisel”, reclamou.

‘MENSALÃO’ – “Eu só quero que a verdade venha à tona. A história do mensalão vai ser recontada nesse País, e se eu puder, eu vou ajudar a fazer ela ser recontada. Não vou julgar ninguém, mas não é possível que em mãos de 500 deputados não tenha aparecido nenhuma que recebeu mensalidade”, disse Lula. “Como é que uma CPI que começou por conta de R$ 3 mil nos correios terminou no mensalão?”, questionou. “Eu acho que nós vamos ter de contar essa história sem pressa.

INDIRETA PARA GLOBO – “Eu cansei de ver dizerem que aquilo foi a maior história de corrupção que já existira nesse País, sem dar os números. Mas depois apareceu uma quantidade de sonegação de impostos quer era muito maior do que tudo o que se falava. Eu tenho mais idade do que vocês, aprendi que a gente não deve ficar nervoso”, concluiu o ex-presidente, com ironia. “Mas não vamos abaixar a cabeça. Se você abaixa a cabeça, aprendi isso com a minha mãe, eles colocam uma cangalha em cima”.

CONSELHO PARA GUIDO – “Eu falei para o [ministro da Fazenda], Guido Mantega: ‘medidas na economia têm de ser explicadas em rede nacional. E a Dilma não tem tempo, vai você. Tem de falar’. Diziam que eu falava demais durante o meu governo, e eu acho isso ótimo. Porque falava mesmo, para mostrar a verdade. Se eu não falasse, quem iria falar por mim?”, questionou.

MÍDIA NO MENSALÃO – No caso do mensalão, o massacre foi apoteótico. Eu não vi essa gritaria no caso de Minas. Então são dois pesos, duas medidas. Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros. Deveria ser assim para todos. Eu acho que o que está acontecendo com o Zé Dirceu é um abuso muito grave, eu acho que ele deveria estar em prisão domiciliar.

SOBRE JOAQUIM BARBOSA E STF – “As pessoas perguntam: você se arrependeu de indicar o [presidente do STF, Joaquim] Barbosa? Eu digo: não. Porque na época não havia o mensalão, não o indiquei pra julgar o mensalão. Eu indiquei porque eu queria um advogado negro na suprema corte. O comportamento dele é de inteira responsabilidade dele. Eu acho que a suprema corte tem que se pronunciar nos autos do processo. Eu não posso ficar falando de você o que vou fazer com você, preciso pegar os autos e decidir. Alguns inclusive mentiram”, declarou Lula. Ele também se pronunciou sobre “a teoria do domínio do fato”, segundo ele, “um achado extraordinário”. “Você é pai daquela criança que fumou maconha, você tinha que saber”, exemplificou.

COPA E OLIMPÍADA – “A Copa do Mundo vem ajudar a gente a fazer uma coisa agora que só seria feita no futuro. Os aeroportos estão acontecendo, as obras de infraestrutura estão acontecendo, o Galeão, o Viracopos. Lula definiu: “a Copa do Mundo no Brasil é um encontro de civilização entre nós. É mais do que o dinheiro. Milhares de pessoas virão conhecer esse país, comer a comida desse país. É mais do que futebol, é trazer para cá o mundo esportivo”.