Politica

Falta de opção ou salvação de novo?

Por-Ataíde Santos

 

No final da década passada o Distrito Federal viveu um dos piores momentos de sua história política. Após a prisão do governador Arruda,  corremos o risco da perda de autonomia política. Falava-se à época em fechamento da Câmara  Legislativa e a volta da nomeação do governador para a Capital do pais. Em um único semestre tivemos quatro governadores. Era um caos político, mas… superamos.

Na eleição de 2010, o candidato da esquerda surge como o “salvador da pátria”, a “borracha” para apagar a vergonha passada e estampada nas páginas dos jornais do mundo inteiro. O Partido dos Trabalhadores lança e elege  Agnelo Queiróz.  Ex-deputado distrital ,  federal e Ministro dos esportes. Médico, lança-se à campanha prometendo, se eleito, ser ele próprio  o secretário de saúde e que no máximo em 100 dias os problemas da área estariam resolvidos.

Já no primeiro ano de mandato e após partilha do governo com todos os partidos que o apoiaram na conquista, começa de forma tímida,  uma paródia sobre uma peça publicitária que dizia: “Tá mudando, tá mudando , tá mudando pra melhor” para: “Tá mudando, tá mudando , tá mudando pra pior”. O movimento avolumou-se,  cresceu e chegou ao “Agnulo”. Era comum ouvir este apelido quando se referiam ao governador. E pegou, e o povo acreditou…

Em 2014, uma nova eleição.  Agnelo se candidata à reeleição tendo como adversários o ex-governador Arruda,  que fora preso, mas que apesar disso larga com grande vantagem sobre Agnelo e  Rollemberg,  senador  eleito em 2010 com o apoio do PT. Queiróz  não passa do primeiro turno. O “agnulo” o “faz-nada”,  representava o que de pior existia.  Poucos dias antes da eleição, o ex-governador José  Roberto  Arruda é proibido de concorrer. De última hora encontram um substituto.  É sacado pelo grupo de oposição ao governo peça conhecida por todos: Jofran Frejat. No entanto, este não repete a performance de Arruda e mesmo prometendo passagens de  ônibus à R$ 1,00 perde para Rollemberg, que encarna o discurso do novo, prometendo, inclusive, eleição direta para os administradores  das  Regiões administrativas.

Faltam ainda pouco mais de seis semanas para a ascensão de Rodrigo Rollemberg  à  cadeira do Buriti e políticos de diversas correntes esperam ansiosos pelo convite do futuro governador para  atuarem na composição do novo Governo. Mas, paciente, Rollemberg não se movimenta em  direção aos grupos diversos. Quer comprar e não vender. Cerca-se de intelectuais oriundos da Universidade de Brasília e espera… No entanto, sabe-se que ninguém governa sozinho nem tampouco sem a mídia. (Será que Agnelo descobriu qual mídia?)

O povo aguarda o próximo movimento, quer e precisa ver a quem de fato elegeu. Não deseja e não pode viver de sobressaltos e decepções. Cabe agora a Rollemberg a difícil tarefa de corresponder às expectativas da população que não acredita mais em promessas e propagandas institucionais veiculadas na  televisão. Com o acesso a internet, um celular com câmera,  as pessoas tem acesso à uma diversidade de informações através das mídias sociais, blogs, além delas mesmas produzirem informações a partir da própria realidade.

Diz que não existe ninguém tão desprovido de conhecimento que não tenha algo a ensinar, ou contrariamente alguém tão sábio que não tenha algo a aprender. Não existe espaço para governantes centralizadores e que não leve em consideração as demandas dos diversos setores da sociedade.

Esperamos que os equívocos cometidos nos últimos anos sirvam de exemplo ao governador Rollemberg, a quem desejamos serenidade e sabedoria para um governar realmente voltado para os anseios da população do DF e não aos grupos que tradicionalmente tem se apropriado do estado em benefício próprio.

Print Friendly, PDF & Email

Faça um comentário

Clique aqui para fazer um comentário