Politica

Especialistas avaliam o futuro da Odebrecht ao fim da Lava-Jato

Afundada até o pescoço no escândalo de corrupção da Operação Lava-Jato, a cúpula da Odebrecht levou aproximadamente um ano para romper o silêncio sobre o assunto e admitir os erros ao mercado desde a prisão do então presidente, Marcelo Odebrecht, em junho de 2015. Apesar do movimento, especialistas ouvidos pelo Correio têm dúvidas sobre o futuro da empresa e da marca do grupo, fundado em 1944. A certeza é que o abalo foi grande e, se ela sobreviver, poderá não ter a mesma força de outrora.

“Eu não poderia afirmar agora que é líquido e certo que a marca vai sumir, mas, certamente, ela vai perder valor. Mas ainda é cedo para saber de quanto será essa perda”, afirma Kátia Martins Valente, professora de gerenciamento de crise da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e sócia da K2 Marketing & Comunicação. Para a especialista e consultora em imagem corporativa, o fato de os escândalos de corrupção terem se espalhado além do Brasil é o que torna o caso da Odebrecht mais crítico. “Tudo vai depender de como a empresa conseguirá solucionar os problemas e gerenciar a crise para que a perda para a marca e para o grupo seja a menor possível”, avalia.

Dados dos relatórios anuais da Odebrecht revelam que o patrimônio líquido do grupo, que é o valor da empresa para os acionistas, foi abalado com o escândalo de corrupção. Tanto que encolheu quase 20% entre 2014 e 2015, passando de R$ 17,1 bilhões para R$ 13,7 bilhões. Ou seja, uma perda de R$ 3,4 bilhões em apenas um ano e a expectativa é de que esse prejuízo não fique por aí, dependendo dos desdobramentos do processo no Brasil e em outros países.

O especialista em estratégia empresarial Sérgio Lazzarini, professor do Insper, evita sentenciar o grupo baiano à morte ou qualquer outra empresa envolvida no escândalo de corrupção da Lava-Jato. “Ainda é cedo para afirmar se as empreiteiras envolvidas sobreviverão ou não. O impacto na marca, de forma geral, é bastante negativo, principalmente porque os governos são os maiores contratantes dessas empresas em diversos países”, explica, lembrando que o encolhimento de operações das construtoras brasileiras no exterior apenas está começando. “A onda de quebra de contrato pode aumentar. A sobrevivência dessas empresas também dependerá do ambiente de negócios no Brasil. Se ele mudar, com mais controle e mais punição, será importante para definir o futuro dessas companhias”, complementa.

Originalmente por: Correio braziliense

Tags