Politica

ACILINO RIBEIRO: A TRAJETÓRIA DE UM SOCIALISTA

asc

 

            As décadas de 70 e 80 trouxeram consigo grandes personagens cujo objetivo era a defesa dos direitos humanos. Se contrapunham ao poderio militar de direita que infligiam agressões de todos os tipos aqueles que resistiam ao seu domínio. Várias desses nomes encontraram na resistência armada a sua ferramenta de luta. Assim, nasceram os chamados Revolucionários, guerrilheiros. Alguns tiveram como palco de lutas o Brasil, outros, o mundo. Entre muitos desses heróis ainda não reconhecidos pela história, destacamos um cuja trajetória é marcada no seu início por  guerrilhas e vem até  dias atuais na defesa dos Direitos Humanos.

Dentre os jovens idealistas e inconformados com o que estava ocorrendo no Brasil, ainda na década de 70, surgiu uma liderança entre os guerrilheiros. Esse novo líder bem cumpriu o seu papel: formou revolucionários, combateu ditaduras no Brasil e em diversas partes do planeta. Já na década de 80 realizou missões secretas em vários países do mundo sempre a favor da paz e dos Direitos Humanos.

É filosofo da revolução cidadã, marxista cristão e socialista libertário, se considera um revolucionário cristão que busca reescrever a esquerda brasileira. Continua revolucionário, e suas armas são: A palavra, o discurso, a lei. E com elas tem buscado sedimentar os Direitos Humanos.

Nosso personagem é Acilino Ribeiro, atual, Subsecretário dos Movimentos Sociais e Participação Popular do Governo do Distrito Federal.

Conhecer o homem, o filosofo, o guerrilheiro,  o líder, o  secretário e muito mais é o objetivo dessa entrevista. Uma oportunidade para conhecer detalhes da história que os livros não contam e que a tevê não mostra. Saber das lutas desse brasileiro que resistiu e resiste ao ódio e ao poderio de grupos que buscam dominar e escravizar o povo, retirando os direitos universais que pertencem a todos.

 

Blog– Eu poderia passar horas e horas falando aqui de seus feitos, de suas lutas e conquistas, mas preciso ser mais objetivo, por isso vou direto:

Qual o significado de ser revolucionário?

Acilino Ribeiro- Significa desapego ao material e absoluta renúncia a qualquer ambição pessoal, entre outros. Isso aprendi com dois grandes mestres: Muammar Khadafy e a Luís Carlos Prestes. Um revolucionário sempre irá priorizar os direitos do outro, valorizar o bem estar da humanidade. Terá como principal instrumento de luta o amor, a ética, o perdão. O sacrifício da própria vida é uma constante na vida do revolucionário. Ele busca mudar o mundo e não apenas melhorá-lo; pode se utilizar da força, porém sabe que não perder as emoções que o tornam humano; luta por amor; a sua luta não é contra pessoas, mas, contra atitudes que destroem a dignidade humana. Eu, na minha caminhada, sempre busquei dois exemplos que considero imprescindível para qualquer pessoa, revolucionário ou não:  Jesus Cristo e Che Guevara. O primeiro nos ensinou: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. E o segundo: “Todo revolucionário é movido por sentimentos de amor “, assim, para mim, esses pensamentos resumem o que é ser revolucionário.

 

Blog- Como guerrilheiro, o senhor lutou contra a ditadura brasileira. Como foi isso?

Acilino Ribeiro – Primeiro vamos definir o que é guerrilha e depois o papel de um guerrilheiro. A Guerra de Guerrilha é o que chamaríamos de pequena guerra, é um método, ela é desenvolvida através de métodos não convencionais, tem toda uma característica. É  diferente das guerras tradicionais. O Exército regular ganha para lutar, o guerrilheiro luta para ganhar. Essa é uma das diferenças. Um guerrilheiro é um soldado da Revolução e como tal totalmente diferente do soldado do Exército regular. Enquanto este, o soldado do exército regular é um mercenário, a serviço geralmente do imperialismo, terceirizado para a defesa do Capital internacional, como acontece hoje no Afeganistão, Líbia, Iraque, etc. o guerrilheiro luta por uma causa. Mas como método de luta também pode ser utilizado por grupos outros que não tem uma ideologia definida e usa-la apenas para obter vantagens pessoais. Por isso é bom manter essa diferença e saber separar as coisas. Um guerrilheiro revolucionário, que luta pelo que acredita é autentico e verdadeiro. Merece respeito. O outro que luta apenas para ganhar dinheiro não é um guerrilheiro, é um paramilitar um mercenário. Um guerrilheiro de verdade é um homem que utiliza os métodos da luta guerrilheira e é um revolucionário. Luta pelo bem da humanidade. Por isso também um guerrilheiro será sempre um homem solitário, pois nunca terá uma casa. Seu lar será sempre o campo de batalha;  terá como sonho, as necessidades da humanidade; e como objetivo de vida tornar realidade os ideais de seu povo. Os sonhos de uma humanidade livre e nações justas onde prevaleça a justiça e a liberdade é que movem as ações dos guerrilheiros e norteiam os sonhos dos revolucionários.  Consola-nos saber que seremos também, sempre: os sobreviventes da utopia.  Todo revolucionário, se necessário, um dia será um guerrilheiro, mas nem sempre um guerrilheiro será um revolucionário. Ser revolucionário é viver um estado de espirito. Ser um guerrilheiro é ser corajoso e várias outras características, dentre elas desenvolver uma tática de luta diferente da tradicional. O guerrilheiro será sempre aquele que tornará os sonhos do revolucionário uma realidade, e não o deixará cair no pesadelo.

 

Blog – Revolucionário, guerrilheiro e terrorista, qual a diferença? As pessoas confundem o conceito dessas palavras.

Acilino Ribeiro – É verdade. Confundem. Mas isso é fruto do próprio terrorismo desenvolvido por governos fascistas e reacionários, que praticam o terrorismo de Estado, o terrorismo midiático e o terrorismo cultural. Tudo junto para manipular a opinião pública. Por isso o terrorismo que é hoje a maior praga do mundo precisa ser combatido em suas causas e não apenas em seus efeitos. Terrorismo não se debate. Combate-se. Eu tenho dito em diversas palestras e conferencias algumas formas de combatê-lo. Mas cada vez mais vejo que alguns governos, principalmente dos países submissos ao imperialismo não tem o menor interesse em combate-lo. Pois isso dá muito lucro para os EUA e Israel. São os dois países que mais lucram com o terrorismo no mundo. A ambos não interessa a Paz, nem no Oriente Médio nem em qualquer outra parte do mundo. Suas economias sobrevivem disso. De guerras. E enquanto isso persistir não haverá paz. Veja que quando existe uma perspectiva de paz entre judeus e palestinos, surge um atentado suspeito e acusam os palestinos. Quando sabemos que não são eles que atacam. Mas são quem levam a culpa e aí começa um novo ciclo viciosos de enfrentamento. Assim é em outras partes. As empresas estadunidenses e majoritariamente de judeus são quem mais lucram com o mercado de armas e as corridas armamentistas. E isso tudo tem a ver com a crise do capitalismo internacional.

 

Blog- O Senhor pode citar alguns personagens da história da humanidade que considera revolucionários?

Acilino Ribeiro – Eu citaria como exemplos de revolucionários e revolucionárias a serem seguidos e seguidas, naturalmente respeitando-se a dimensão espiritual e histórica de cada um, figuras históricas como Buda, Maomé, Abraão e Maria, mãe de Jesus. Numa outra dimensão eu lembraria, não comparando, mas citando como referência de pessoas que seguiram e tiveram como exemplo os que citei acima, Gandhi, Mandela, Luther King, Papa João XXIII, Madre Teresa de Calcutá, além de líderes políticos que revolucionaram o mundo com sua arte e políticas, assim, Zapata, Lenin, Ho Chi min, como também diversas mulheres que podemos nos orgulhar, como Rosa Luxemburgo, Alexandra Kollontai, Clara Zetikin, Pagú, Frida Kahlo, Olga Benário, Ângela Davis, Eva Peron, dentre outras.

 

 

Blog – Em nossas pesquisas encontramos diversas histórias sobre o senhor. Reconhecido como coerente e honesto, sempre muito elogiado, mas considerado polêmico. Porque isso?

Acilino Ribeiro – Isso é fruto de minha determinação. Coragem e idealismo. Todo revolucionário tem que ter essas características. Até por que muitas vezes será incompreendido, caluniado e combatido, porque um revolucionário é ser um contestador, um revoltado e um eterno combatente. Será um revoltado, sempre, contra a fome, a miséria, o desemprego, a tortura, as injustiças e a falta de liberdade, dentre outras mazelas. E será sempre um combatente porque lutará pela justiça e a liberdade em qualquer parte do mundo. Só em você se indignar contra tudo isso você já é um revolucionário ou uma revolucionária. Assim eu entendo que as pessoas podem até se decepcionar com os governos e as autoridades por tudo isso que falei acima. E é boa a decepção, porque ela gera uma reação. O que não pode acontecer é a desilusão, porque gera a acomodação. Então seja um revolucionário, rebele-se contra as injustiças, o preconceito, a discriminação, a fome, a tortura, o terrorismo, a violência e todas as mazelas do capitalismo selvagem e explorador. Para isso basta ter três coisas para se iniciar como revolucionário;  Formação Ideológica, Coerência Política e Disciplina Revolucionária. Estes são três dos pré-requisitos básicos para o ser um revolucionário. Acredito ser por isso que sou polêmico.

 

Blog – O senhor foi considerado um dos mais radicais líderes da esquerda brasileira, mas…

Acilino Ribeiro – Isso foi há muito tempo, numa época em que a morte era o preço da coragem. Num enfrentamento com a ditadura não tinha meio termo. Só os kamikazes sobrevivem. Por isso que estou vivo…

 

 Blog – O Senhor foi considerado um dos mais radicais líderes da esquerda brasileira. Lendo um pouco de sua história, pelas suas andanças, lutas e combates o senhor é considerado um estrategista, inclusive se fala que o senhor ‘quando está falando está agitando, e quando está calado está conspirando’. Como é isso?

Acilino Ribeiro- (risos) Era o que meus antigos adversários políticos diziam lá no Piauí. Mas isso era intriga da oposição (risos).  Eu me considero até um tanto ingênuo em política, pois eu falo muito.  E isso me lembra de uma coisa que sempre digo: Em política o homem deve se manter puro ideologicamente, mas nunca ser ingênuo politicamente. Essa é uma das regras da política com ética.

 

Blog – O senhor tinha um apelido no Piauí, que seus adversários lhe chamavam; A Serpente Vermelha. Porque?

Acilino Ribeiro – Nossa!!!… Até isso você foram cavar ??!! (Risos novamente). Na verdade, era um tempo onde todos queriam ser governo e poucos tinham coragem de ser oposição ou ir para ela. Eu fui e sempre ataquei de frente, mas eu tinha certas estratégias que só eu sabia e só eu usava. Agia com meus princípios, mas minha estratégia era infalível.  E aí eu inventei outro estilo de fazer política. Era o final da ditadura, e no Piauí eu enfrentava uma oligarquia. Éramos poucos na oposição. Então eu disse. Vou fazer política, com três coisas: com a astúcia da raposa, a paciência da preguiça e o golpe da serpente. Era assim que eu fazia.  E usava muito da estratégia da luta de massa aplicada a luta Institucional. Para sobreviver tinha que ter muita astúcia. Não tinha forças suficientes para enfrentar os adversários em várias frentes. Por isso tinha que ter paciência e acumular forças. E quando tinha a oportunidade desferia o golpe contra a ditadura e a oligarquia como faz a serpente. Um golpe só. E resolvia a questão ali. E como era do Partido Comunista me chamavam de a serpente vermelha. Mais eu acho que fui mais formiga que serpente, pois eu só instigava. De vez em quando dava o golpe. (hahahahah!!!!).

Blog – O que o Senhor pode nos revelar da sua vida pessoal? Ou seja: como é a vida pessoal de um revolucionário?

Acilino Ribeiro – Um revolucionário terá princípios tais como o respeito e o amor à família, a proteção dos filhos. Será sempre uma pessoa preocupada com a segurança familiar, no que pese ter que se sacrificar muitas vezes e não poder ter o convívio dela, pois será perseguido, terá que viver na clandestinidade, longe dos pais, da mãe, dos irmãos. Eu sofri muito.  Para mim o final dos anos de 1968 e 69, mas principalmente todo o ano de 1970, e o começo da década foram de muito sofrimento. Viver escondido como vivi…  Outro ponto é a vida amorosa do revolucionário. Se a companheira ou companheiro não vive aquilo com ele é difícil. Também existem os princípios como:  o revolucionário deve ser sempre o mais fiel dos homens, e geralmente os revolucionários são tão espontâneos que declaram aberta e publicamente seu amor a humanidade, mas são, vias de regra, os mais tímidos para declararem seu amor à pessoa amada. Também um revolucionário é o mais ardente dos amantes, o mais viril dos parceiros, mas também o mais fiel dos seres humanos. E vou mais adiante: O amor de um revolucionário por uma mulher ou de uma revolucionária por um homem só deve ser superado pelo amor de ambos pela a Humanidade. Todo revolucionário, como todo ser humano comum, pode se sentir atraído pela beleza física e exterior do sexo oposto, mas só deve se deixar conquistar, e/ou partir para a conquista se tiver capacidade de descobrir a beleza interior do(a) parceiro(a), e de fazê-lo(a) feliz. Por isso que outra característica básica do revolucionário, quanto a essa questão, é que revolucionário não faz sexo, faz amor. Um revolucionário deve ser um homem/mulher completo(a). E completar o(a) parceiro(a).

 

Blog – Vamos agora saber um pouco do homem no Governo. Como o senhor avalia 2015 para o governo Rollemberg e para sua subsecretaria?

Acilino Ribeiro –     Foi um ano difícil. Mas interessante, pelas demandas apresentadas, e também atendidas pelo governo e em especial por nossa Subsecretaria. Basicamente sobre nossa parte o quer posso dizer é que através da SERIS, com o Marcos Dantas na direção e depois na Casa Civil, com o Secretário Sergio Sampaio e o companheiro Igor Tokarski, que me deram todo o apoio necessário ao encaminhamento das demandas dos movimentos sociais. No que pese eu pessoalmente já ter uma boa relação com os movimentos sociais foi um ano o qual ampliamos essa relação a nível institucional. Os quatro primeiros meses foi de atenuar a pressão da panela, o segundo quadrimestre foi o de construir e o terceiro foi o de consolidar. No primeiro semestre construímos a relação com os movimentos sociais. No segundo começamos a debater e construir a política de participação que culminou com nota 1000 no Encontro Governo de Brasília Movimento Sociais. E o governador Rodrigo Rollemberg foi fundamentalmente preciso e importante na construção dessa política de participação popular e controle social. Ele é um democrata e socialista que preza pelo exercício da cidadania. Nos demais setores fizemos o que foi possível. Vejo vários secretários, subsecretários e dirigentes de autarquias serem bem avaliados e isso é uma resposta positiva da sociedade a tudo que com muito esforço nosso governo fez. Claro que tivemos ônus também. Mas os bônus para a sociedade foram grandes também. E o governador Rodrigo Rollemberg, pelo seu caráter humanista tem sofrido muito em não poder atender a todas as demandas mas tem também com a humildade que lhe é peculiar tem aceitado com modéstia os elogios que lhe são feitos no cumprimento de suas responsabilidades. O saldo foi bastante positivo no que pese as críticas dos que nos antecederam no governo. Eles estão no papel deles. Mas gostaria que assim como veem eventuais erros, tenham também a coragem de ver os acertos. Vejo o 2015 assim.

 

Blog – Quais são as perspectivas para 2016?

Acilino Ribeiro –     Com certeza vamos deslanchar. Sou otimista, mas também vejo com os olhos voltados para a realidade crítica e a crise econômica pela qual passamos. O governador acertou em 2015 e vai acertar mais em 2016. O remédio foi amargo, mas um doente que estava terminal foi se recuperando e agora começa a se levantar e andar. O GDF estava falido. O governador fez o que tinha que ser feito. É preciso que todos tenham coragem para dizer isso. Os cortes foram duros. Amargos; eu mesmo senti na minha pasta que não podíamos gastar. E ainda vamos passar um bom tempo sem poder gastar. Vejo os movimentos sociais compreendendo isso. É só lembrar de como o governador foi aplaudido de pé no Encontro com os movimentos sociais em dezembro de 2015. Vamos divulgar através da Assessoria de Comunicação nossa programação para 2016 e existem muitas entregas a serem feitas que não são obras físicas, mas obras de caráter político que vai melhorar a vida do cidadão de Brasília. Mais que um burocrata que faz cálculos sempre de forma técnica, apesar das dificuldades, eu estou sendo o mesmo revolucionário que sempre fui, e avaliando politicamente, assim como acreditando que esse governo será o melhor governo da história de Distrito Federal. Anote o que estou lhe dizendo. Sei das dificuldades, mas com honestidade e a seriedade que esse governo encara a coisa pública nós estamos saindo do atoleiro que o governo anterior colocou o GDF e construindo uma nova Brasília. Uma Brasília Cidadã. Os revolucionários têm dentre outras, essa característica. Lutam pelo que acreditam e defendem quem confiam. Eu acredito nesse governo e confio no governador Rodrigo Rollemberg.

 

Blog – Vamos fazer um ping-pong, ok?

Acilino Ribeiro Ok. (risos) Viu? Eu disse só ok! Respondi bem rápido. E curto.

 

Blog – Governo Rollemberg

Acilino Ribeiro –  Herdou o que de pior se podia herdar de um governo anterior, mas com muita dedicação, compromisso e participação, será considerado o melhor governo da história política do DF.

Blog – O Cidadão Rollemberg?

Acilino Ribeiro – Uma pessoa profundamente humana; um militante dedicado e um amigo a quem tenho muita consideração, admiração e respeito.

Blog – Considerado uma lenda, um ícone da esquerda, sabe-se que a Direita lhe odeia. O senhor é o lendário Comandante Mercúrio. Porque a direita lhe odeia tanto?

Acilino Ribeiro – (Risos) Vocês querem o que? Isso é uma luta política.  Nem Cristo agradou a todos, os judeus e romanos o mataram. Não vai ser eu que vou ser amado por todos, não é? Mas como um militante do diálogo, eu converso com ela. Com a Direita. Se ela quiser, claro.

Blog – O Acilino pessoa, gosta de que, futebol, viagens, o que?

Acilino Ribeiro –  Adoro música, cinema e literatura. Dançar e lutar Kung Fu. Pena que não tenha tido tempo mais para isso. Mas pelo menos continuo diariamente antes de dormi lendo um pouco e assistindo um filme ou documentário. Gosto muito. No carro ouço música clássica e romântica. Quando tenho tempo gosto de dançar. Música de salão e dance. Adoraria ter tempo e voltar a jogar tênis. Eu não consigo me libertar da agenda institucional, aí restrinjo demais minha vida pessoal. Viajar é meu hobby, mas não tenho tido muito tempo ultimamente. Nos tempos da Internacional Revolucionária era uma beleza. Morava dentro de avião. Europa, melhores hotéis. E muita adrenalina.

Blog – Cidades que gostaria de voltar, já que é um homem muito viajado?

Acilino Ribeiro – Gosto muito de Roma, Atenas, Viena e Berlim. Mas Paris e Trípoli são as cidades que mais gostaria de voltar. Amo de verdade essas duas cidades. Tive momentos importantes na minha vida que me fazem recordar com saudade as duas.

Blog- Período de clandestinidade, luta armada, ditadura. O que lhe faz lembrar?

Acilino Ribeiro – Um período que espero nunca mais volte e que não tenho nem um pouco de saudade. Tenho lembranças, mas não saudades. Alguns maus momentos, outros bons. Principalmente aqueles do final da ditadura. Esses foram bons, porque contávamos o dia dos militares saírem do poder. Uma época em que aprendi muito também, mas onde minha juventude foi inteiramente dedicada a luta revolucionária. Não me arrependo de nada. Até faria tudo de novo se fosse preciso e a ditadura voltasse, de forma diferente claro, mas espero que isso nunca mais aconteça em meu país e em lugar nenhum do mundo. Foi uma tragédia a qual agradeço a Deus ter sobrevivido. Realmente sou um sobrevivente da utopia.

Blog –  E sua infância. Do que lembra?

Acilino Ribeiro – Tive uma infância muito bonita. Com todo o carinho dos meus pais. Aquele amor protetor de mamãe, a preocupação de meu irmão, o Ribeiro, minhas irmãs e os ensinamentos de meu pai. Apesar de tudo recordo com carinho o tempo que tive que ficar foragido. Eu tive minha infância interrompida. Com 15 anos eu fui preso e depois já tive que ir para a clandestinidade aos 17. Meu avô e minha avó me deram apoio e eu fiquei um tempo escondido na fazenda do meu avô. Era o lugar mais seguro. Lá no Piauí. Saí de Brasília sozinho, de ônibus, atravessei a região do Araguaia, onde estava o foco da guerrilha, mas consegui chegar ao Piauí. Na fazenda convivi com os camponeses. Foi ótimo. Voltei e me engajei na luta mesmo. Depois é essa história que vocês já conhecem. Sobrevivi. Estou vivo e continuei a luta. Os ideais continuam, nunca morrem. Poderiam ter me matado, mas minhas ideias continuariam, em outras gerações, mas não morreriam. São mais de quarenta anos.

Estou um pouco cansado não nego. Cansado mesmo. Mas um revolucionário não tem tempo para ter medo nem para descansar. É a vida. E renasço cada vez que vejo o sorriso de uma criança com uma demanda atendida, uma mulher com o direito respeitado, um idoso alegre porque teve seu espaço conquistado. Enfim, a vida só vale a pena se você lutar para ver as pessoas felizes e a humanidade vivendo em paz. Pensava assim na minha infância e penso até hoje. Um Revolucionário é um humanista a vida toda.

Blog – E seu irmão, Raimundo Ribeiro? Interessante vê-los juntos. Como é a relação de vocês, mesmo estando em partidos diferentes?

Acilino Ribeiro – Excelente. O Ribeiro é o tipo do político que eu gostaria que a maioria dos políticos de Brasília tivesse como referência. Um homem sério, honesto e ético. Meu ídolo. Meu exemplo de político que tenho como referência. Além do mais meu melhor amigo. De todas as horas. Era meu segurança quando éramos meninos, adolescentes (ahahaha). É verdade. Quando estudávamos no Colégio Setor Leste e depois na Universidade, ele ficava vigiando para ver se a polícia não vinha me prender, enquanto eu fazia discurso para os estudantes. Massa, não é?  Hoje ele é deputado e eu um Subsecretário de Estado. Realizando os sonhos pelos quais lutamos. Aprendi muito com ele nesses anos todos. Os partidos políticos não separam os homens de bem, pelo contrário, os une. Adoro meu irmão. É um humanista como Eu. E devemos isso a Dona Socorro, mamãe, que nos ensinou tudo que sabemos, pelo que lutamos, e o que somos.