Padilha deve voltar à berlinda nas declarações de Marcelo Odebrecht

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Ao trabalhar com a possibilidade de o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha — licenciado após uma cirurgia de próstata —, não voltar ao cargo, o Planalto fez um gesto simbólico ao não citar o nome do principal aliado no texto de uma nota em defesa do presidente Michel Temer. Padilha estava no centro do depoimento do empreiteiro Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral na quarta-feira e vai voltar à berlinda na próxima segunda-feira nas declarações de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, ao ministro Hermann Benjamin, no processo de cassação da chapa Dilma-Temer.

Em nota divulgada ontem, o Planalto afirmou que o depoimento de Marcelo Odebrecht confirmou “aquilo que o presidente Michel Temer vem dizendo há meses: houve um jantar (entre Temer e o empresário), mas (eles) não falaram de valores durante o encontro e a empresa deu auxílio financeiro a campanhas do PMDB”, diz o texto. Não houve, porém, qualquer menção, na nota, ao nome de Padilha como intermediário direto da arrecadação dos recursos com a empresa ou às afirmações de que 4/5 do dinheiro doado pela empreiteira à chapa presidencial vieram por intermédio de caixa 2.

Temer está com um cuidado gigantesco para lidar com a crise Padilha. Por enquanto, ambos têm um álibi perfeito. O chefe da Casa Civil está de licença médica após se submeter a uma cirurgia de próstata na última segunda-feira. A previsão inicial, feita pelo próprio ministro, era de que ele retornaria aos trabalhos na próxima segunda-feira, 6. Mas, ontem, atendendo a um conselho médico, Padilha decidiu prorrogar a licença por mais uma semana.

“Não será fácil para Temer, se tiver que rifar o Padilha. Ele fez todo aquele esforço para criar um ministério só para dar foro para o Moreira. Vai deixar o Padilha, amigo de 30 anos, sem foro privilegiado, desprotegido na planície”? questionou um desafeto do secretário-geral da Presidência, Moreira Franco.

Por:Correio braziliense

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