Cidade Cultura Entrevista Geral

Randal Andrade: fotografia como documento e arte

Entrevista: Skartazini Arte e Comunicação | Março 2019

Ao longo da história muitos criadores e inventores agregaram valores ao processo que originou a fotografia como hoje a conhecemos. Em 1558 o napolitano Giovanni Baptista Della Porta se referiu, pela primeira vez, à ‘câmara escura’. No século XVI Leonardo da Vinci e outros artistas a usaram para esboçar pinturas. Hoje, no Distrito Federal, temos o fotógrafo Randal Andrade, criador do conceito ‘imaginografia’.

Nascido a 24/12/1972, no Distrito Federal, Randal Andrade começou fotografar nos anos 90, influenciado pelo pai, também fotógrafo. Seu berço era entre equipamentos fotográficos. Fez curso técnico no SENAC e seu primeiro trabalho foi num laboratório analógico revelando fotos de um evento de rock, seguidas de coberturas fotográficas teatrais, de dança, artes plásticas, moda, sociedade, meio ambiente…

Nos anos 90 e 2000 fotografou Samambaia/DF, para o projeto ‘Grande Quadro’, que registra em quadros, fotografias e textos, a história, geografia, estatística e estética da 12ª Região Administrativa do Distrito Federal. Esteve em Samambaia outra vez em 2017, ministrando oficina de fotografia pelo projeto ‘Caravana Cultural’. Deseja integrar o Núcleo Audiovisual do Complexo Cultural Samambaia, ora em formação.

Skartazini Arte e Comunicação – Aonde você quer chegar com a fotografia?
Randal Andrade – Pretendo continuar fotografando a vida toda. Gosto muito de passar conhecimentos que adquiri nesses quase trinta anos. Adoro ministrar aulas e oficinas para pessoas interessadas, de todas as idades, especialmente crianças e idosos.

SAC – Como é se dedicar à fotografia em Brasília?
RA – Brasília é muito expressiva na arte fotográfica e a luminosidade é especial. Temos um céu inigualável, com formidáveis variações de cor e intensidade de luz. Tive aqui excelentes professores, mestres e amigos, com os quais aprendi muito, entre eles meu pai Andrade Jr, Patrick Grosner, Marcelo Luniere, Beluco e outros. São fotógrafos muito expressivos e criativos, que também tem o dom de ensinar. Mas a fotografia de Brasília precisa de mais espaços para exposições e aulas.

SAC – Como você vê a arte da fotografia, com a evolução tecnológica?
RA – Hoje em dia, com a fotografia digital, temos poucos fotógrafos que entendem de luz e fotometria. A fotografia analógica cobrava mais dos fotógrafos que agora se valem dos recursos digitais, os ‘presets’ (predefinições digitais para padrões de imagem). É como decorar uma pergunta de questão de prova. O que temos que entender é que um ‘preset’ trabalha uma serie de configurações feitas por qualquer usuário, que permite corrigir ou aplicar determinado estilo ou ajuste na fotografia.

 

SAC – O que você mais gosta no seu trabalho fotográfico?
RA – Gosto de documentar porque vejo a importância disso para o futuro de uma cidade, de uma região… Mas me atrai muito também as novas possibilidades criativas da fotografia. Chamo minha pesquisa de ‘imaginografia’, a fotografia que pode sempre ser reinventada, com a criatividade e imaginação, sem limites…

SAC – O que você acha de ministrar uma oficina no Complexo Cultural Samambaia?
RA – É só me convidarem e disporem de alguns recursos. Já ministrei aulas nessa cidade, bem aceitas e frequentadas. Adoraria fazer parte e somar na criação de um Núcleo Audiovisual, no Complexo Cultural Samambaia, ministrando oficinas e fomentando pesquisas fotográficas. Isso seria um grande avanço no Distrito Federal, partindo dessa comunidade que tem sede de aprender e desenvolver sua arte. Temos vários projetos, como o ‘Positivo na Lata’, ‘Caravana Cultural’, ‘Terceiro Olhar’, ‘Mais Vividos’ e o ‘Grande Quadro’, que podem ser adequados e patrocinados pelo Fundo de Apoio à Cultura – FAC/DF, para serem executados no Complexo Cultural Samambaia.

Contatos: (61) 98133.1381 (Randal Andrade)

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