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Grafologia: entenda o que sua escrita indica sobre você e compare exemplos

Marcelo Testoni

Colaboração para Universa

A grafologia é o estudo da personalidade de uma pessoa por meio da escrita e que pode ser aplicado em diversas áreas. Os especialistas no assunto acreditam que o cérebro, ao comandar a mão, projeta aspectos pessoais em traços de letras, espaços e palavras. Esses detalhes –que variam do tamanho ao formato da escrita – representam experiências vividas, traumas e características individuais.

Em perícias criminais, por exemplo, a grafologia pode ser usada para traçar o perfil psicológico de um assassino. Já em sala de aula ou em consultórios médicos pode ser uma ferramenta a mais para identificar e buscar soluções para crianças ou jovens portadores de distúrbios comportamentais ou vítimas de abuso sexual.

“Nos dias de hoje, é aplicada principalmente em gestão de recursos humanos, processos de seleção e de desenvolvimento de carreira. Visa minimizar os riscos na contratação ou na promoção”, explica Janete Dias, grafóloga, psicóloga e fundadora da Grafologia Brasil Escola de Formação.

Não é uma ciência oficial, mas existem vários estudos que asseguram sua validade e eficácia. Há até registros históricos milenares, na China e no Japão, que falam de “traços gerais do caráter” percebidos pela maneira de escrever. Em 1622, o médico e professor italiano Camilo Baldi lançou a primeira obra sobre grafologia. Porém, o uso sistemático do método é recente.

“Em 1872, Jean Hyppolite Michon publica o livro ‘Os Mistérios da Escrita’. É considerado o ‘pai’ da grafologia. Assim, temos apenas 146 anos do que podemos chamar de grafologia moderna”, observa Erwin André Leibl, psicanalista, perito grafotécnico e presidente da AGGBR – Associação Grafológica Grafo Brasil.

Vale ressaltar que na grafologia um signo isolado não diz nada. Ele deve ser combinado com outros signos para que possa chegar a um resultado.  Além disso, a escrita se modifica com a idade e cada pessoa tem seu tipo de letra  – portanto a análise varia de pessoa para pessoa.

A seguir, veja como o estilo de escrita é examinado para se traçar um perfil e compare com o que você registra no papel.

Tamanho

“De forma geral, o tamanho das letras, assim como a largura e a estreiteza na escrita, estão relacionados (somado a outros sinais na escrita) com introversão e extroversão. A maneira como pensa, age e sente, como se relaciona consigo e com o outro”, diz Cristianne Cestaro Valladares Rubbo, psicóloga, psicanalista e idealizadora da Grafologia Brasil Escola de Formação.

1. Grande: mostra um sentido excessivo do “eu”. Forte imagem de si, desejo de ser o centro das atenções, supervalorização da forma de pensar, necessidade de visibilidade.

2. Média: disciplina, responsabilidade, equilíbrio na modéstia, boa capacidade de concentração e memorização.

3. Pequena: capacidade de observação, de atenção, introspecção, objetividade, seriedade, autodisciplina, humildade, autocrítica, respeito a personalidade alheia.

Inclinação

Por meio da inclinação das letras é possível observar a necessidade que a pessoa apresenta em estabelecer contato com o meio, com o outro, além de estabelecer vínculos.

1. Para esquerda: remete à origem, ao eu, ao passado, à introversão e ao egoísmo.

2. Para direita: representa o outro, o futuro, o desconhecido, a extroversão, o altruísmo.

3. Reta: isenção e imparcialidade nas decisões. É um bom aspecto quando se trata de liderança, porque não se deixa influenciar. Pode até atuar como mediador de conflitos. Por outro lado, pode revelar-se uma pessoa fria e impessoal.

Continuidade

 “A continuidade na escrita representa o inconsciente e como a pessoa enfrenta o mundo exterior, o contato da pessoa com os demais, reflexão, modo de raciocínio, como fluem os pensamentos e ideias, grau de constância e perseverança”, explica Elisabeth Romar, grafóloga e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Grafologia – SOBRAG.

1. Escrita ligada: a ligação contínua das letras revela economia de tempo e energia, presença da capacidade lógica e de síntese, boa associação de ideias, decisões e ações coerentes, perseverança, sociabilidade, habilidade expositiva por conseguir manter um raciocínio.

2. Escrita desligada: descontínua, confere maior atenção a cada letra e palavra em seu conjunto. Manifesta capacidade de análise, memorização, intuição e inconstância em relações.

3. Escrita agrupada: misto de ligação com desligamentos em algumas letras ou sílabas. Denota equilíbrio entre intuição e dedução, além de reflexão, prudência, equilíbrio e realismo.

4. Escrita retocada: é retocada para parecer legível, pois o autor acha que a forma não lhe parece muito clara. Reflete ansiedade em explicar, autocrítica, insegurança e responsabilidade.

Zonas gráficas

Correspondem às partes superior, média e inferior da escrita. O enfoque em cada uma delas revela um aspecto psicológico único.

1. Zona superior: Quando é maior do que as zonas média e inferior, significa que a pessoa investe suas energias dominantemente no conhecimento ou na espiritualidade.

2. Zona média: Diz respeito ao “eu”, ao momento presente, ao cotidiano. É a via de confluência dos impulsos superiores (pensamento, racionalidade) e dos impulsos inferiores (pulsões instintivas e biológicas, interesses práticos).

3. Zona inferior: valorizar a parte de baixo representaria apego ao inconsciente, aos impulsos, à sexualidade e ao eu instintivo.

Largura

“A largura entre uma letra e outra fala sobre capacidade de avaliação, abertura mental, sensibilidade no contato com o próximo. É um espaço proporcional à generosidade que a pessoa concede ao outro, grau de expansão do sentimento. Já a largura entre palavras fala sobre capacidade crítica, avalição real, bom senso e visão panorâmica”, informa Elisabeth.

1. Largura pequena: entre uma letra e outra representa tendência da pessoa ser fechada em si mesma e na sua própria forma afetiva, sem dar espaço para a comunicação com o exterior. Quanto mais estreita se apresenta essa largura, menos espaço a pessoa concede ao outro. Já a largura pequena entre palavras indica impulsividade, reação imediata, pouco senso crítico.

2. Largura grande: palavras muito afastadas mostram que a pessoa é muito crítica. Já a escrita grande (maior do que 2,5 mm) nos mostra extroversão, confiança, vaidade e fantasia.

Direção

A direção da escrita pode ser comparada com o estado de ânimo da pessoa.

1. Escrita que sobe: ascendente, revela tendência ao otimismo, desejo de superação, iniciativa, ambição, espirito para competição. Pessoas que enfrentam a vida com segurança e controle.

2. Escrita horizontal: controle no estado de ânimo, tendência à colaboração, equilíbrio entre a razão e o sentimento, estabilidade na percepção e na realização.

3. Escrita que desce: desmotivação, falta de assertividade, cansaço e até indício de depressão.

Formatos

Estão relacionados à maneira como a pessoa é e se posiciona socialmente.

1. Escrita caligráfica: quando o adulto reproduz este formato, representa o modelo que ele aprendeu na escola. Significa apego às tradições, convencionalismo, aceitação dos acordos e padrões estabelecidos.

2. Escrita ornada: Escritas ornadas demonstram capacidade imaginativa e necessidade de seduzir. Já ao contrário, quanto mais simples a escrita, maior é a objetividade do autor.

3. Escrita artificial: é aquela realizada de forma “falsa” e consciente, sem espontaneidade, com a intenção de ocultar, disfarçar, a fim de aparentar algo que a pessoa não é, mas deseja.

Pressão

Está relacionada com energia, segurança, firmeza e forças física e psíquica do indivíduo.

1. Leve: quando a força é menor, está relacionada à sensibilidade e perspicácia do indivíduo, menos resistente às pressões. Prevalece a atividade mais mental do que física. 

2. Em relevo: quando há equilíbrio entre as motivações do indivíduo. Estabilidade, resistência às pressões, produtividade e criatividade.

3. Igual ou paralela: indivíduo mais tenso, que não relaxa, mas que possui coragem, gosta de ver, tocar e sentir. Memória visual.

Velocidade

Indica o tempo normal de reação, ou seja, a duração habitual com que tarefas são realizadas.

1. Lenta: é típica de uma atividade mental tranquila, paciente, que faz refletir e ser prudente.

2. Pausada: menos passivo e com mais determinação e intervenção nas ações. Porém, não é lenta nem veloz. Entra no campo chamado moderado.

3. Rápida: indica uma inteligência mais ativa do que as anteriores, dinamismo, fluir de ideias e tomada de decisões. Por outro lado também pode significar precipitação, pressa e ansiedade.

Assinatura

Embora não ofereça informações completas sobre a personalidade, porque é analisada na relação com o texto, representa o indivíduo na sua intimidade e na relação com o “eu” mais íntimo e secreto.

1. Legível: facilidade de se expor ao meio, pessoa mais aberta, expansiva, sincera.

2. Ilegível: pessoas que não gostam de se expor, são mais reservadas e inseguras. Se for angulosa, denota um caráter audacioso e mais enérgico. Já arredondada, reflete docilidade.

3. Sobrenome em destaque: maior afinidade com aquele lado parental, isto é, do pai ou da mãe. Também pode ser por meio do sobrenome que a pessoa deseja ser reconhecida.

4. Com traço por cima: revela não aceitação e sinaliza tendência autopunitiva.

Imagens: Divulgação; “Las Inteligencias Multiples y la Vocación en Grafologia”, de Elisabeth Romar; “Psicologia dela Scrittura”, de Antonello Pizzi e “Grafologia Expressiva”, de Paulo Sérgio de Camargo

Fonte – Universa

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