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Em plena crise política, por onde anda Marina Silva?

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Ex-candidata tem se pronunciado quase que exclusivamente por redes sociais e sobre temas como meio ambiente e educação

No momento em que o país passa por uma escalada da crise política, muitos se perguntam por onde anda Marina Silva, a candidata de 22,176 milhões de eleitores na eleição presidencial de 2014.

A resposta é: na Colômbia, para uma viagem de cerca de dez dias, onde, segundo sua conta no Instagram, tem visitado grupos da sociedade civil que atuam em áreas como sustentabilidade, democracia participativa e redução da violência.

A coincidência de sua ausência do país, em um momento de intensificação do desgaste do governo Dilma Rousseff, e em que novos desdobramentos da operação Lava Jato atingem congressistas, de certa forma reforça o sentimento de que Marina “desapareceu” do cenário político após a acirrada disputa de 2014.

Nesta quarta-feira, enquanto a Polícia Federal cumpria mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor e outros cinco políticos, Marina entrou no Facebook e no Twitter para fazer apenas duas postagens sobre a Conferência do Clima em Paris.

No dia seguinte, compartilhou mais três links com conteúdo sobre mudanças climáticas, direitos indígenas e críticas à educação no país.

 

Alguns leitores reagiram à falta de comentários sobre a situação política, econômica e as denúncias de corrupção.

“Cadê você, Marina? O Brasil derretendo, milhões (de) pessoas perdendo emprego, seus antigos companheiros enroladíssimos e você muda, quieta!! Cadê a líder??”, cobrou no Facebook Margarette Dayrell.

“Marinaaaaaaaaa, cadê vc? Vergonha foi ontem no Senado, Collor e Jader Barbalho esculhambando o Ministério Público e a ação da Polícia Federal, os outros senadores, de todos os partidos, caladinhos, ouvindo tudo desconfiados e sem Ninguém se pronunciar a favor da operação”, reclamou também Gustavo Tiné.

‘Tranquilidade’

A BBC Brasil tentou ouvir Marina Silva, mas sua assessoria informou que a viagem à Colômbia impedia que fosse realizada uma entrevista. Nos últimos meses, ela falado pouco com a imprensa.

Em um desses raros momentos, no mês passado, concedeu entrevista ao jornalista Keneddy Alencar, do SBT, em que disse não saber se disputará a eleição presidencial novamente e afirmou querer “pensar com tranquilidade” sobre como contribuir para o país.

“Eu ainda não tenho essa resposta (sobre se seria candidata). Não acho que uma candidatura deva ser em função da fadiga de material desse ou daquele partido. Uma candidatura será sempre em função de um projeto de país, de uma visão de mundo, de um programa de governo”, disse, ao ser questionada sobre a possibilidade de ser uma alternativa ao governo e ao PSDB.

“Eu quero discutir, pensar com tranquilidade qual é a natureza da minha contribuição para a sociedade brasileira.”

Em seu site oficial, em março, também rebateu as cobranças a respeito de seu “silêncio”: “Como disse (o escritor americano) Mark Twain, ‘os boatos a respeito da minha morte estavam um pouco exagerados’. Não andei tão calada assim, basta ver que em minhas páginas na internet tratei das questões mais importantes da vida brasileira, como a crise hídrica, a retomada dos ataques aos direitos indígenas e, é claro, as investigações da corrupção na Petrobras.”

“Se me ative às páginas da internet, especialmente nas redes sociais, deixando de lado as entrevistas e artigos na chamada ‘grande mídia’, é porque preferi não seguir a pauta convencional, onde o bate-boca pós-eleitoral e as versões da guerra partidária continuavam acirrados”, explicou.

 

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