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Bolsonaro elimina radares nas estradas do país que mais mata no trânsito

O presidente Jair Bolsonaro cancelou a instalação de novos radares e irá “rever” a necessidade de aparelhos já em operação nas rodovias federais, o que significará praticamente o fim da rede ainda existente. O sistema de fiscalização eletrônica encolheu de 5,5 mil pontos ativos, em julho de 2018, para cerca de 440 até março deste ano, ao longo dos 52 mil quilômetros de vias administradas pela União, de acordo com dados divulgados pelo jornal O Globo. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) reforçou que a presença dos radares contribuiu para redução de 24,7% no número de mortes nas vias federais entre 2010, quando o governo implantou o Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade, e 2016 – passou de de 7.083 para 5.333 óbitos no período. A quantidade de desastres caiu 47% (191.161 para 95.965).

A medida pode prejudicar o pacto firmado pelo brasil com a Organização das Nações Unidas (ONU) no âmbito da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, de reduzir em 50% os acidentes de trânsito entre os anos de 2011 a 2020. De acordo com o Dnit, a decisão de instalar os 8.015 pontos de monitoramento foi tomada após estudos técnicos detalhados e ampliaria a segurança das rodovias federais, que registram cerca de 5,5 mil mortes por ano. Quase todas as empresas que executariam a reativação ou instalação dos radares já estavam contratadas, pelo valor de R$ 852 milhões. A renovação de toda a rede custaria R$ 1,029 bilhão.

Os contratos de manutenção e funcionamento dos radares venceram, sem que o governo admitisse novos prestadores do serviço. Bolsonaro disse em 7 de março que iria cancelar a instalação de novos equipamentos para combater o que chamou de “indústria da multa”, argumentando refutado por Michelle Andrade, doutora na área de transportes e professora da Universidade de Brasília (UnB), a medida do governo é “precipitada”.

“A gente sabe a partir do nosso histórico e das experiências internacionais que o controle de velocidade é uma medida importante para reduzir a violência no trânsito. Em vez de retirar os equipamentos, devia melhorar a fiscalização e também investir em educação e infraestrutura no trânsito”, acrescenta.

A pesquisadora também afirmou que a “indústria da multa” não existe de fato. “A gente achar que é o Dnit que está atuando para promover a indústria da multa não é verdade. O governo não tem que pensar em retirar a fiscalização, mas em reforçar a educação no trânsito e a infraestrutura das vias. Assim vamos desmistificar a indústria da multa”.

De acordo com Arthur Froes, superintendente de Operações da Seguradora Líder, responsável pelo pagamento do seguro DPVAT a vítimas de acidentes no trânsito, as estatísticas mostram a grave realidade das vias no Brasil. Foram pagas 328.142 indenizações entre e janeiro a dezembro de 2018. O número é considerado elevado, embora tenha havido redução de 15% em relação ao ano anterior.

“Esses dados devem servir de suporte para a construção de políticas de prevenção e educação no trânsito pelos governos. O cenário reforça a importância de se investir cada vez mais em conscientização, melhorar a formação de motoristas, e intensificar a fiscalização em todos os estados do Brasil”, afirma.

Fonte: Brasil 247

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