Feira de ciências promove matemática para todos no Parque da Cidade

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Quem acha que o Brasil é um país em que as pessoas não se interessam por ciência pode se surpreender com o fascínio dos estudantes que participam da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) no Distrito Federal. Nesta edição, o evento ocupa o maior espaço de sua história: são 70 mil metros quadrados no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. A programação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações reúne mais de 70 instituições, além de 92 escolas públicas do DF. A programação teve início na segunda-feira (23) e se estende até domingo (29).

O tema deste ano é “A matemática está em tudo”. A semana científica acontece ao mesmo tempo em 259 municípios com 7.438 atividades cadastradas. Andando pelo Parque da Cidade, é possível se deparar com animais empalhados até protótipos de aviões e foguetes.
Alunos de 9 anos da Escola Classe 12 do Gama estudam conteúdos que seriam vistos apenas em séries mais avançadas. “A ideia é não transformar o conhecimento em uma coisa cronológica, mas, sim, possibilitar o acesso na hora em que a dúvida surgir”, explica a professora da turma, Rute Sena Rios. “A gente aprende fazendo esses trabalhos e também vendo os dos outros”, conta a aluna Mayara da Costa e Silva.

A escola trouxe para a mostra um planetário e maquetes do sistema solar e de uma usina hidrelétrica. A comunidade toda se envolveu, já que os familiares também ajudaram na construção.

Estudantes do 5° ano da Escola Classe 106 Norte se divertiram ao fazer foguetes de garrafa pet. As professoras Patrícia Victoria Santos e Denise Montandone Carvalho Rocha explicam que tudo começou quando eles foram convidados a participar do projeto The Science Dream Girls, da Universidade Católica de Brasília (UCB), em que vivenciaram um dia como cientistas.

Lisa Linda de Pádua Quevedo, 10 anos, se empolga ao explicar o projeto. “Nós criamos os foguetes depois de aprendermos em vídeos”, conta animada. “É divertido e aprendemos muito”, acrescenta a estudante Yohanna Wolfstein, de 10 anos.

Na feira também está Carolina Grassi, 30, pesquisadora do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, que desenvolveu um projeto que substitui o uso de petróleo por biocombustível desenvolvido a partir do etanol. Ela apresenta uma maquete que demonstra a pesquisa. Doutora em biologia molecular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),ela diz que busca melhorar a produtividade do etanol e das lavouras, como colher a cana-de-açúcar de forma correta”, explica. O projeto é resultado de parceria do MCTIC e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais.

Contato com o público

A estudante do Colégio Galois Luisa Valadares, 17, é veterana na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. “Eu venho à feira desde quando eu tinha 13 anos. É surreal poder tirar os conhecimentos de sala de aula e vê-los na prática”, fala.

Professora de ciências no colégio, Francini Vieira informa que a escola participa do evento com 400 alunos, de 11 a 17 anos, que apresentam 67 projetos. “A maioria dos trabalhos são relacionados ao impacto ambiental. Ela reforça que a participação neste tipo de evento instiga os estudantes a se interessarem mais pelos estudos. “Os meninos se desenvolvem muito e a melhor forma de aprender é ensinando”, garante.

Aluna do 8º ano do Galois, Isadora Meireles, 13, destaca a importância do evento para a aprendizagem. “Ficamos muito em sala de aula, então apresentar um trabalho na feira é enriquecedor”, diz. Ela e as amigas — Alice Netto, Clara Maria Oliveira e Tiffany Jarjour, todas de 13 anos — elaboraram um trabalho sobre os malefícios do consumo exagerado de doces. “Todo mundo acredita que os açúcares são melhores que os adoçantes, mas não são. Durante o processo de industrialização, eles perdem nutrientes. O ideal é consumir o açúcar mascavo e o açúcar de coco”, explica Clara Maria.

Para reverter o quadro

Na última edição do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), em 2015, o desempenho de estudantes brasileiros em matemática foi o pior entre as habilidades analisadas (também são avaliados conhecimentos em ciências e leitura). Os alunos conseguiram média de 377 na disciplina, menos que a nota da edição anterior (2012), que foi de 389. No ranking mundial dessa disciplina, o Brasil ficou em 66º lugar entre 72 países. Iniciativas voltadas à matemática, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, tentam reverter esse quadro.

Não perca!

14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no DF

Onde: Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade
Quando: até amanhã
O horário de funcionamento é das 9h às 19h, hoje e das 9h às 18h amanhã
Informações: snct.mctic.gov.br

Fonte: Correio Braziliense

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