O inimigo nº 1 da educação brasileira

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Não sei se muita gente leu porque saiu nas páginas internas da Folha de hoje, sem chamada de capa. O que o futuro ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez disse a respeito do que pretende fazer no governo a partir de janeiro é escandaloso, assustador e deve ser rebatido pelos educadores e alunos brasileiros:

“O aluno tem que sair do segundo grau pronto para o mercado de trabalho. Nem todo mundo quer fazer uma universidade. É bobagem pensar na democratização da universidade, nem todo mundo gosta”.

“O segundo grau teria como finalidade mostrar ao aluno que ele pode colocar em prática os conhecimentos e ganhar dinheiro com isso. Como os youtubers, ganham dinheiro sem enfrentar uma universidade”.

Ainda não assumiu, mas depois de dizer isso pode ser considerado desde já inimigo número 1 da educação brasileira.

O sonho de todo pai brasileiro sempre foi ter um filho formado na universidade. Ele não tem o direito de distorcer essa realidade alegando que “nem todo mundo gosta”. Todos gostam, todos querem. De mais a mais, um bom educador estimula o aluno a ir em frente, a conhecer mais e não a ir para o mercado de trabalho ainda adolescente e sem qualificação para ser bem remunerado.

Em vez de abrir aos alunos brasileiros a perspectiva de alcançarem objetivos mais altos, ele os condena a desistir depois do segundo grau e ainda sugere que melhor do que fazer faculdade é ser youtuber.

É espantoso: o presidente Lula, que não fez faculdade, foi quem mais abriu universidades públicas e gratuitas; e o ministro, que tem muitos títulos universitários, quer fechá-las.

Nem sempre a quantidade de títulos universitários tem correspondência com o QI.

O que o futuro ministro quer dizer com isso é que o governo vai cortar as verbas para o ensino superior. Quem quiser ir além do segundo grau terá que fazer universidade particular. Tudo o que Lula e Dilma construíram em termos de acesso universal ao ensino superior será dinamitado.

O que se vislumbra é o retorno ao século XIX, quando somente os filhos da elite econômica podiam cursar faculdade no Brasil.

Não dá para imaginar que essas ideias medievais, se implantadas, serão recebidas bovinamente pelos estudantes brasileiros.

Fonte: Brasil 247

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