Pessimismo se alastra pela economia e teto do PIB encolhe

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O golpe parlamentar de 2016, que prometia alavancar a economia e retomar o crescimento, conseguiu apenas derrubar de vez as perspectivas de melhoria para o futuro. A expectativa era que o Brasil crescesse ao menos 3% neste exercício, mas decorridos seis meses do ano as projeções indicam parra um crescimento pífio, de apenas 1,5%. Além disso, o desemprego em alta e a queda na confiança de consumidores e empresários tem ajudado a derrubar as projeções.

Para analistas e economistas de instituições ligadas ao mercado, as condições financeiras apontam para um cenário futuro desfavorável. Os juros futuros estão elevados, o chamado risco Brasil está em patamar elevado, o mercado acionário apresenta um forte viés de queda e o real está em franca desvalorização, o que ajuda a entender o pessimismo sobre os rumos da economia.

Um relatório do Itaú Unibanco cita as dúvidas sobre a capacidade do governo Michel temer em levar adiante as reformas fiscais, a incerteza eleitoral e o cenário externo desfavorável aos países emergentes como fatores para a piora no cenário econômico. Estes fatores têm levado a uma queda nas projeções até mesmo para o ano de 2019. O Itaú, por exemplo, reduziu de 2,5% para 2% a perspectiva de crescimento do PIB para o próximo ano.

Um ponto que chama a atenção é que também as projeções para 2019 estão piorando significativamente. O Itaú Unibanco cortou a sua estimativa para o ano que vem de 2,5% para 2%. Detalhe: no início do ano, as projeções feitas pelo banco para 2019 apontavam para um crescimento de 3,7% O Bradesco, também reduziu de 3% para 2,5% a estimativa de crescimento para o próximo exercício.

Além disso, o país registrou, até o trimestre terminado em maio, cerca de 13,2 milhões desempregados. Segundo a Goldman Sachs, o índice de 12,4% de desocupados é semelhante ao apontado no mesmo período do ano passado. E neste cenário, os trabalhadores que conseguem alguma colocação no mercado de trabalho estão conseguindo esta inserção de forma precária, sem carteira assinada, ou por conta própria.

Considerando o trimestre encerrado em maio, apesar do governo Temer alardear que o desemprego caiu, o país registrou 483 mil trabalhadores sem carteira assinada.

Estas projeções se estendem também ao setor industrial. A Anfavea, associação que representa as montadoras de veículos, anunciou que a produção caiu 20,2% em maio na comparação com abril. O transporte de cargas recuou 27,7%, maior retração em 19 anos, conforme as concessionárias de rodovias. Segundo dados divulgados semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial teve uma queda de 10,9%.

Ao mesmo tempo, o descalabro fiscal do governo Temer, que prevê um rombo da ordem de R$ 159 bilhões para este exercício segue a todo vapor. Como a tendência segue sendo de retração, o novo legado do golpe para o país será mais um período de recessão no futuro próximo.

Por: Brasil 247

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