Economia

Ibovespa cai 4,5% na semana e dólar fecha no maior patamar em 7 meses

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (17) – aniversário do Joesley Day de 2018, última vez em que foi acionado circuit break na B3 – e caiu 4,52% na semana, renovando a mínima do ano ao terminar o pregão cotado a menos de 90 mil pontos pela primeira vez em 2019. Enquanto isso, o dólar atingiu seu maior patamar de fechamento desde outubro do ano passado, quando chegou a bater R$ 4,20.

Pesando nesta sexta, a China minimizou as chances de uma retomada nas negociações comerciais com os Estados Unidos e prometeu estímulos para mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos EUA. Já no Brasil, preocupou os investidores a fala do presidente Jair Bolsonaro em live pelo Facebook ontem, dizendo que pode rever a política de preços da Petrobras se não houver prejuízo à estatal. Somado ao vencimento de opções na próxima segunda-feira, isso derrubou as ações da petroleira, que caiu mais de 2%.

O Ibovespa terminou o dia longe da mínima e da máxima, com perdas de 0,04% a 89.901 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 16,455 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,62% a R$ 4,0998 na compra e a R$ 4,1019 na venda. O dólar futuro tem alta de 1,2% a R$ 4,102.

Segundo o gerente da mesa de trade da H. Commcor, Ari Santos, os investidores hoje operaram na ponta vendida preocupados com a articulação política do governo. “Os membros do Congresso e do Executivo ficam dando data para aprovar o texto, mas não entregam resultados concretos, de modo que o mercado desconfia”, avalia.

Para ele, o principal responsável pelo repique da Bolsa, que chegou a cair com mais força depois das 16h (horário de Brasília), mas se afastou das mínimas no fechamento, foi a zeragem de posições vendidas. Vale lembrar que quando um investidor aluga ações para vender, apostando na baixa, ele precisa comprar de novo para entregar para o locador.

As commodities sobem no mercado global, mas não por boas notícias. O minério de referência chegou a US$ 100 por tonelada, o maior nível desde 2014, com os investidores apostando que uma crise global de oferta estimulará uma disputa por cargas, enquanto siderúrgicas da China produzem volumes recordes de aço. Também dá forças ao minério a notícia de que a Vale pode ter mais um rompimento de barragem em breve.

Já o petróleo caiu, com o barril do petróleo tipo Brent, referência para a Petrobras, desvalorizando 0,73% a US$ 72,09, enquanto o barril do WTI teve queda de 0,24% a US$ 62,72.

Adicionando temores no cenário doméstico, a família do presidente sofre investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), que quebrou o sigilo bancário e fiscal de seu filho, Flávio Bolsonaro, e do ex-assessor Fabrício Queiroz, além de 93 pessoas e empresas, entre os quais de oito ex-funcionários de Jair Bolsonaro.

Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reuniu-se com líderes das maiores bancadas para medir a temperatura da crise e a previsão unânime é de piora do ambiente político, que já está hostil ao governo. Com isso, deputados estariam propondo blindar a Reforma da Previdência para seguir com a tramitação, mas sem defender o governo.

Na semana que vem, o Planalto terá que desistir de manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sob a a responsabilidade do ministro da Justiça, Sérgio Moro, se quiser aprovar a Medida Provisória 870 e garantir o número atual de ministérios. A MP 870 reduziu de 29 para 22 os ministérios. Elevar novamente a quantidade significaria um aumento do gasto público, que como demonstrado pelos cortes em diversas áreas, já está pressionado.

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Em evento da Fitch Ratings, o economista Alexandre Schwartsman disse que as “dificuldades políticas de Bolsonaro são reprise de Dilma com sinal trocado”. Ele previu que, se a reforma não trouxer uma grande economia, o governo acaba.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 avança sete pontos-base a 7,01%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 mostra ganhos de doze pontos-base a 8,25%.

Noticiário corporativo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem à noite durante transmissão semanal ao vivo no Facebook que pode rever a política de preços da Petrobras (PETR3 -0,79%; PETR4 -2,33%) se não houver prejuízo à estatal. “O pessoal reclama do preço da gasolina a R$ 5. E eles me culpam, atiram para cima de mim o tempo todo. O preço dos combustíveis é feito lá pela Petrobras. Leva em conta o preço do barril de petróleo lá fora, bem como a variação do dólar. Lógico que se a gente puder rever isso aí sem prejuízo para a empresa, sem problema nenhum, às vezes, a política pode ter algum equívoco”, disse.

Ao lado de Bolsonaro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o preço dos combustíveis no País só poderá ser reduzido quando houver “maior produção, quando não formos tão dependentes do petróleo que hoje ainda continuamos exportando e importando”, afirmou.

Em abril, Bolsonaro causou mal-estar aos mercados ao ligar ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, solicitando que revisse na ocasião o reajuste no preço do óleo diesel que havia sido anunciado.

Uma das iniciativas para evitar um nova greve dos caminhoneiros, começarão os testes a partir de segunda-feira do Cartão do Caminhoneiro Petrobras, que será distribuído pela BR Distribuidora. O cartão será voltado principalmente aos motoristas autônomos, mas também para transportadoras e embarcadores.

A Vale (VALE3 +2,84%) informou ontem que, assim que identificou movimentação no talude Norte, na cava da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), paralisada desde 2016, avisou imediatamente as autoridades competentes.

A preocupação da companhia é com um novo deslizamento, assim como o que ocorreu no final de janeiro em Brumadinho. Segundo a empresa, não há elementos técnicos até o momento para se afirmar que o eventual escorregamento do talude Norte da Cava da Mina Gongo Soco desencadeará gatilho para a ruptura da Barragem Sul Superior. Mesmo assim, a Vale afirmou que está reforçando o nível de alerta e prontidão para o caso extremo de rompimento.

Adicionalmente, seguindo recomendação do Ministério Público de Minas Gerais, a Vale intensificará a veiculação de informações em rádios da região e por meio de panfletagem. Além disso, um novo simulado de evacuação será realizado neste sábado, dia 18 de maio, às 15h para reforço de treinamento da população de Barão de Cocais. As equipes da Valevão apoiar a realização do simulado, que será conduzido pela Defesa Civil. O nível de alerta da Barragem Sul Superior foi elevado para 2 no dia 8 de fevereiro.

Fonte: Brasil 247