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EUA preparam ação coletiva contra a Vale

Depois do caso da Petrobras, que pagou R$ 10 bilhões a acionistas norte-americanos antes mesmo que o processo apresentado contra a estatal fosse concluído, será a vez da Vale. Dois escritórios de advocacia dos EUA anunciaram que pretendem entrar com ações coletivas contra a empresa na Justiça do país após as perdas causadas aos investidores pelo rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho (MG).

“A Rosen Law está preparando uma ação coletiva para recuperar as perdas sofridas pelos investidores da Vale”, afirma comunicado dos advogados enviado a investidores, segundo reportagem do Estado de S.Paulo. O escritório afirma estar investigando se a mineradora brasileira pode ter “emitido ao público informações de negócios materialmente falsas”.

O escritório Tha Schall afirma estar investigando se a Vale soltou “informações falsas e enganosas” aos investidores, que omitiam os riscos com a barragem e, por isso, burlam as regras do mercado acionário dos EUA.

Vale desaba 24,5% e perde mais de R$70 bi em valor de mercado após tragédia em MG

SÃO PAULO (Reuters) – As ações da Vale fecharam em queda de mais de 20 por cento nesta segunda-feira, pior desempenho diário da sua história e equivalente uma perda de 72,8 bilhões de reais em valor de mercado, após a tragédia com o rompimento de uma barragem de mineração da companhia em Brumadinho (MG), que deixou até o momento 60 pessoas mortas e quase 300 desaparecidas.

Os papéis da mineradora fecharam em queda de 24,52 por cento, a 42,38 reais, derrubando o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, que fechou em baixa de 2,29 por cento. O volume de ações negociado foi o maior desde a estreia da Vale na bolsa. Em termos financeiros, foi o maior giro do pregão desta segunda-feira, totalizando 8,15 bilhões de reais.

Os primeiros relatórios de analistas do setor de mineração recomendaram cautela com as ações dado o horizonte nebuloso à frente em razão de potenciais desdobramentos da desastre, que aconteceu pouco mais de três anos depois que uma barragem da Samarco – uma joint venture da Vale com a BHP – rompeu em Mariana (MG), levando a 19 mortes e poluindo o rio Doce.

Os analistas Leonardo Correa e Gerard Roure, do BTG Pactual, afirmaram terem sido “verdadeiramente surpreendidos” com o evento, citando que, desde o acidente com a Samarco, a Vale investiu em uma série de medidas para inspecionar e garantir que as operações existentes fossem seguras.

Desde o rompimento da barragem de Brumadinho na sexta-feira, a Vale já teve contra si a decretação de quatro bloqueios judiciais e a aplicação de outras duas sanções por órgãos administrativos no valor total de 12,1 bilhões de reais, segundo levantamento feito pela Reuters nesta segunda-feira.

A mineradora também suspendeu sua política de remuneração aos acionistas, o que na prática significa o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio.

Por Paula Arend Laier

Fonte: Brasil 247