DF ganha primeira Academia Inclusiva de Autores Brasilienses

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As ações desenvolvidas na Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga, ganharam um peso maior neste ano. A primeira Academia Inclusiva de Autores Brasilienses foi fundada com o intuito de promover a obra literária de pessoas com deficiência visual no País e no mundo.

A iniciativa nasceu do projeto Luz & Autor em Braille, desenvolvido há 22 anos na biblioteca. Com mais de 800 trabalhos produzidos, o local não só proporciona acesso à leitura para os que não enxergam ou têm baixa visão, como também os estimula a produzir os próprios textos.

Desde a criação da biblioteca, em 1995, o projeto já integra 83 autores com deficiência visual com outros escritores que atuam como voluntários. Em 2010, o projeto lançou o livro Revelando Autores em Braille, que traz um compilado de histórias e poemas escrito de forma inclusiva.

Coordenadora da biblioteca, Leonilde Fontes acredita que a criação da academia é o coroamento do trabalho de 22 anos. “É a efetivação do projeto que vem sendo desenvolvido ao longo desses anos”, diz.

“É um ambiente de transformação. As pessoas começam a renascer de um lugar que não esperavam. Entram para a faculdade, começam a trabalhar, se tornam autônomas e independentes”

Fundadora e presidente da academia inclusiva, Dinorá Couto não esconde o entusiasmo de poder levar reconhecimento aos autores com deficiência visual, que muitas vezes não têm a oportunidade de mostrar seu trabalho. “Nunca pensei que eu tivesse um poder tão grande e fácil de resolver nas mãos, que é dar alegria a essas pessoas.”

Umas das 83 escritoras do projeto, Noeme Rocha equipara a Academia Inclusiva de Autores Brasilienses, da qual é vice-presidente, a qualquer instituição acadêmica literária.

Dinorá conta que até pelerines foram confeccionados para a posse dos membros. “Fizemos a logo bordada para que os deficientes possam sentir e saber o que está ali”, comenta.

Outra novidade é que a academia inclusiva não ficará restrita a participantes do DF. A fundadora conta que tem membros do País inteiro e até participantes internacionais vindos dos Estados Unidos, Portugal, Itália e França.

Uma biblioteca inclusiva e cidadã

A Biblioteca Braille Dorina Nowill surgiu em 1995, após a Secretaria de Cultura receber 2 mil livros em braille da Fundação Dorina Nowill. No entanto, para atender a esse tipo de público, precisava de um atendimento especial à altura da assistência que um deficiente visual necessita.

Criada com base nessa necessidade, a biblioteca, no primeiro momento, foi instalada em uma sala de aula na Escola Classe 6 de Taguatinga. Com o intuito de promover acesso à literatura de pessoas com necessidades especiais, o espaço também oferece mais de 900 áudios de livros.

A academia inclusiva já tem membros do Brasil inteiro e de países como Estados Unidos, Portugal, Itália e França

Os deficientes visuais têm ainda à disposição aulas de reforço, informática, dança e braille. A coordenadora da biblioteca, Leonilde Fontes, conta que o trabalho impacta diretamente a vida dos frequentadores. “É um ambiente de transformação”.

Para ela, o espaço promove novos despertares de pessoas que não têm mais perspectiva nenhuma de vida, nem expectativa. “Elas começam a renascer de um lugar que eu acho que nem elas mesmo esperavam, entram para a faculdade, começam a trabalhar, se tornam autônomas e independentes”, afirma Leonilde.

Frequentadora assídua da biblioteca desde o começo do ano, Valdeli Rodrigues conta que o espaço trouxe um outro estilo de vida para ela. “Eu só tenho 15% da visão, e poder estar em um local onde o deficiente é incluído é maravilhoso”, conta ela que teve a perda da visão gradativa por causa do glaucoma.

“Eu só vim me dar conta que eu tinha baixa visão neste ano. Até então, eu tinha um outro estilo de vida. A biblioteca que foi me orientando, me incluindo nas atividades. E isso é ótimo, a autoestima da gente cresce, tem um órgão que pensa na gente.” Valdeli conta que na biblioteca pode aprender a escrever e a ler em braile e a se adaptar à realidade que ainda é novidade para ela.

Resgate da autoestima

A coordenadora da biblioteca explica que um dos principais pilares do local é resgatar essa autoestima. “Eu considero que a maior missão que a gente tem aqui não é emprestar livro, nem a leitura. Para isso acontecer o resgate da autoestima é fundamental. Porque depois que foi retomado isso, aí a pessoa vai querer ler, vai querer estudar, querer escrever, e aí pronto, ela está viva.”

Vinculada à Secretaria de Educação, a Biblioteca Braille Dorina Nowill está atualmente instalada no Complexo Cultural de Taguatinga, ao lado da Biblioteca Machado de Assis e atende cerca de 90 deficientes assíduos.

Por: Agência Brasília

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