Coordenador do Cean é acusado de proibir aluno trans de usar banheiro

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A  Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) investiga denúncia feita pela mãe de um aluno do Centro de Ensino da Asa Norte (Cean), que teria sido impedido de usar o banheiro dos professores pelo coordenador. De acordo com a ocorrência, o servidor ainda teria ameaçado, constrangido e empurrado o estudante para evitar que ele entrasse no local.

Para a família do estudante, o caso é de transfobia, uma vez que o adolescente trans (que nasceu mulher e se identifica como homem) usava o banheiro dos professores com autorização verbal da diretora da escola. Segundo Patrícia Pederiva, mãe do aluno, o caso ocorreu no dia 25 de agosto e ela sequer teria sido não informada pela escola.

De acordo com ela, o filho teria pedido ao coordenador para ir ao banheiro, chegando a ter que explicitar publicamente qual era a necessidade íntima. Na ocasião, relatou a mãe, o professor ainda agiu de forma constrangedora ao dizer: “Eu sei como é… tenho mulheres em casa”.

A mãe disse que notou que o filho estava com comportamento diferente no último mês, mas somente agora descobriu o que havia ocorrido.

Além de não me informar do conflito, a direção da escola colocou, dias depois, meu filho e o agressor frente a frente numa sala para um pedido de desculpas mútuo. Na ocasião, o coordenador propôs resolver a situação ‘de homem para homem’. Uma covardia

Patrícia Pederiva, mãe do aluno

Acionados pela família do aluno, o Conselho de Direitos Humanos do DF e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal oficiaram a direção do Cean e a Secretária de Educação, solicitando o afastamento imediato preventivo do coordenador pedagógico da escola. O presidente do conselho, Michel Platini, afirmou que também foi pedida abertura de sindicância interna para apurar a conduta do servidor.

Bernardo Mota, ativista da União Libertária de Travestis e Mulheres Transexuais (Ultra), ressalta a importância do ambiente escolar para a vida dos jovens. “Esse caso é muito simbólico. Pelo país, muitos trans abandonam a escola. Nós temos o direito a cidadania”.

Acionada pela reportagem, a Secretaria de Educação informou que abrirá sindicância para apurar os fatos. A reportagem tentou contato com o coordenador, mas não conseguiu localizá-lo.

Fonte: Metrópoles

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