Clima de ódio corrói o país e faz vítimas

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O clima de intolerância e ódio que se estabeleceu no Brasil, fomentado pela mídia e disseminado nas redes sociais, poderá ter consequências funestas na campanha eleitoral do próximo ano se nada for feito para conter, por exemplo, a fúria de insanos como o jornalista Mario Vitor Gonçalves, que pregou a morte de Lula. Antes dele foram registrados inúmeros gestos de hostilidade em aeroportos, restaurantes e até em hospitais, inclusive com agressões físicas, sem que alguma providência tivesse sido tomada para punir os agressores. Até hoje não se sabe o que aconteceu com o advogado que ameaçou de morte a então presidenta Dilma Roussef e nem sobre o policial federal que usava a fotografia dela para exercícios de tiro ao alvo. A ausência de providências, por parte das autoridades, para punir os responsáveis pelas manifestações de ódio e intolerância soa como uma aprovação tácita a semelhantes atitudes, talvez porque haja uma afinidade de pensamentos em relação aos alvos das agressões. E como a impunidade é o melhor estímulo a todos os tipos de crimes, não é difícil prever-se ações mais violentas durante o processo eleitoral.

Recentemente a filósofa norte-americana Judith Blutter, que veio ao Brasil proferir palestras, foi hostilizada no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando se preparava para embarcar de retorno ao seu país. O ex-ministro Guido Mantega não faz muito tempo foi hostilizado no hospital Sirio Libanês quando acompanhava a esposa, ali internada em tratamento contra um câncer que acabou levando-a à morte. Em Porto Alegre um grupo de pessoas, algumas de cabelos grisalhos – o que não significa maturidade nem discernimento – fez manifestações hostis na porta de um hospital onde a filha de Dilma deu à luz o seu segundo neto. É o caso de se perguntar: o que leva pessoas aparentemente equilibradas a esse tipo imbecil e primitivo de protesto? Só há uma explicação: ódio. Mas por que tanto ódio contra alguém que sequer conhecem, apenas porque não pensa como eles? Todos os que contribuem, direta ou indiretamente, para esse clima são responsáveis por suas consequências e sofrerão o aguilhão da consciência mesmo que não sejam punidos.

Há alguns anos um sujeito, imbecilizado pelo noticiário tendencioso, viajou centenas de quilômetros do seu Estado até Brasilia para agredir a bengaladas, nos corredores do Congresso Nacional, o deputado José Dirceu. Ele se deixou influenciar pela sistemática campanha da mídia movida contra petistas, em especial contra Lula e Dirceu, e numa crise de fúria atacou o parlamentar. Se, ao invés de uma bengala, empunhasse um revólver, teria cometido um crime de homicidio. Além dele, quem mais seria responsabilizado pelo crime? Dirceu, aliás, tem sido um dos alvos prediletos da perseguição midiática. Na última segunda-feira o Jornal Nacional, da Globo, dedicou boa parte do seu tempo para noticiar a festa de aniversário da mulher dele. Em toda a história do principal jornal da televisão dos Marinho não se tem conhecimento de que alguma vez tenha noticiado algum aniversário, nem mesmo do Presidente da República. Então, por que o da mulher do petista? Simples: para incitar o ódio contra Dirceu. Muita gente que perdeu a capacidade de raciocinar, colocando uma ervilha no lugar do cérebro, deve ter ficado indignada, como se festejar o aniversário da esposa fosse crime. Mas foi exatamente essa a intenção da Globo.

A intolerância e o ódio que tomaram conta do país todo dia demonstram a sua violência, fazendo vítimas. A mulher de Lula e o reitor Cancellier, da Universidade de Santa Catarina, foram duas de suas vítimas fatais conhecidas. Recentemente uma jovem levou um soco no olho, aplicado por um partidário de Jair Bolsonário, simplesmente porque declarou que votaria em Lula. Em outro tipo de intolerância o ator pornô Alexandre Frota, ao perder a ação que moveu contra a ex-ministra Eleonora Menicucci, ficou tão revoltado que acusou o juiz de ter julgado “com a bunda”. Em sua página no Facebook, depois de afirmar que foi julgado “por um juiz ativista do movimento gay”, disse que ele “não julgou com a cabeça, julgou com a bunda”. Até agora não se tem conhecimento de nenhuma reação da magistratura ao insulto, muito menos das associações de juízes, como a Ajufe, sempre diligente quando se trata de política. Diante disso, seria possível supor que o silêncio do Judiciário, ante a acusação do ator pornô, seria decorrência do seu elevado número de admiradores na magistratura? Ou o reconhecimento de algum fundamento? Não deixa de ser estranho, porém, o comportamento omisso do Judiciário.

O principal alvo do ódio que envenenou o país, no entanto, é o ex-presidente Lula. Agora mesmo a Procuradoria da República do Distrito Federal pediu à 10ª. Vara de Brasilia o bloqueio de R$ 24 milhões em bens e valores do ex-presidente operário e do seu filho Luiz Claudio. O líder petista é acusado de ter prorrogado incentivos fiscais a montadoras de veículos, quando Presidente, e de ter influenciado o governo para a compra dos caças suecos Grippen. Lula informou que não tem esse montante de dinheiro e o pouco que tem já foi bloqueado pelo juiz Sergio Moro. Parece que não basta a perseguição movida pelo juiz Moro, na Lava-Jato, que já confiscou tudo do ex-presidente. Os seus perseguidores, que não conseguem esconder o inexplicável ódio contra ele e buscam qualquer coisa para incriminá-lo, devem se sentir frustrados por não poderem condená-lo à pena de morte, o que já teriam feito há muito tempo se tal pena estivesse prevista na legislação brasileira. Mas – pergunta-se – por que tanto ódio a um homem que só fez bem ao Brasil e ao seu povo? Só há uma explicação: esse ódio foi construído ao longo do tempo, através de uma sistemática campanha desenvolvida na mídia e nas redes sociais pela elite, que não consegue digerir um torneiro mecânico nordestino como Presidente da República. Terão, porém, de engoli-lo mais uma vez, porque o povo o quer de volta ao Palácio do Planalto em 2018.

Por: Brasil 247

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