Brasil e outros 5 países suspendem participação na Unasul

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O Brasil junto com Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru anunciaram na quinta-feira que irão suspender por tempo indefinido sua participação na União das Nações Sul-Americanas (Unasul), informaram à Reuters fontes nesta sexta-feira.

A decisão de suspender a participação na organização foi tomada em Lima, em uma reunião à margem da Cúpula das Américas. De acordo com as fontes, diplomatas se reuniram com a intenção de tentar encontrar uma solução para a paralisia do bloco, mas sem sucesso.

O grupo de seis países —que reúne as nações mais ricas da região— tenta uma ação mais radical para forçar uma ação da Unasul. Os seis cobram a indicação do embaixador argentino José Octávio Bordón como novo secretário-geral.

Bordón foi indicado pela Argentina no início do ano passado e foi apoiado pelo Brasil e pelos outros países do grupo. O governo brasileiro defendia que a presença do argentino à frente do bloco diminuiria o viés político da Unasul, até então dominada pelos países ditos bolivarianos. No entanto, não houve consenso para a nomeação de Bordón e, desde então, o bloco está praticamente inativo.

A divisão entre os chamados bolivarianos e conservadores, que hoje domina a organização, impede que sejam tomadas decisões por consenso, como exigido pelo estatuto do bloco.

Segundo uma fonte do Itamaraty, que pediu para não ser identificada, a nomeação de Bordón como secretário-geral está sendo bloqueada pela Venezuela, embora isso nunca tenha sido colocado de forma aberta nem tenha sido apresentada uma alternativa.

Ao mesmo tempo, disse a fonte, os países não conseguem consenso para suspender a Venezuela como fizeram no Mercosul.

A decisão do Brasil e dos outros cinco países de suspender sua participação na Unasul “é uma tentativa de se fazer alguma coisa, encontrar uma solução”, disse a fonte do Itamaraty. “Ninguém quis ainda decidir sair da Unasul, mas se nada acontecer alguém vai acabar saindo”, acrescentou.

Em carta enviada ao chanceler da Bolívia, Fernando Huanacuni —que ocupa a presidência pro-tempore do bloco—, os ministros das Relações Exteriores dos seis países informaram que deixariam de participar das atividades da Unasul a partir da última quarta-feira.

Na quinta-feira, o Itamaraty enviou um comunicado aos demais órgãos do governo brasileiro avisando da decisão. De acordo com o texto, ao qual a Reuters teve acesso, os seis países trataram, em sua carta a Huanacuni, de um “conjunto de problemas relacionados ao funcionamento da organização” mas, principalmente da situação de “acefalia” do bloco.

Na prática, a Unasul está paralisada há um ano e meio.

A suspensão na participação foi confirmada por fontes de outros governos envolvidos no movimento.

“Está confirmado, foi enviada uma carta à Bolívia comunicando a suspensão”, disse à Reuters uma fonte da chancelaria paraguaia.

Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores do Peru reforçou os motivos apresentados pelo membro do Itamaraty à Reuters.

“A Unasul funciona por meio de consenso e dentro de Unasul há tais discrepância entre os membros sobre as visões políticas e econômicas que a torna inoperante”, disse a fonte peruana.

“É bem difícil chegar a um consenso quando há diferenças de opiniões tão marcadas… está implícito que este mecanismo já não tem sentido”, acrescentou. “Como não resolve nada, (a Unasul) acaba sendo um gasto supérfluo, pagando cotas por una coisa que não serve.”

O chanceler boliviano, no entanto, disse não ter sido comunicado oficialmente da suspensão.

“Não temos nenhuma informação oficial… os mecanismos e os procedimentos internos requerem formalidades”, disse Huanacuni, em Quito.

“Mas lembremos que a integração sul-americana no que ser refere, por exemplo, à (questão) migratória é uma realidade”, acrescentou. “A Unasul é uma realidade geográfica e histórica.”

A Unasul foi criada em 2008 por iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-presidentes da Venezuela Hugo Chávez e da Argentina Néstor Kirchner, com a intenção de aumentar a integração regional. As mudanças dos governo dos países, no entanto, com um viés mais de direita, como Paraguai, Argentina, Brasil, Peru e, agora, Chile, mudaram a configuração do bloco e selaram a divisão na região.

Por: Brasil 247

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