Aliados de Temer já pensam em recursos caso delações sejam desfavoráveis

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Os depoimentos dos delatores da Odebrecht no processo que analisa o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aumentaram os riscos para o governo e já fazem com que os aliados do peemedebista projetem adiamentos e, até mesmo, recursos, caso o resultado final seja desfavorável ao presidente. “É preciso deixar claro que Lava-Jato é uma coisa, TSE é outra. Mas, se, ao final, a chapa for cassada, cabem recursos que podem ser analisados apenas em 2019”, disse o deputado Rocha Loures (PMDB-PR).

Loures ressaltou não ter se surpreendido com a estratégia do relator do processo, o ministro Herman Benjamin, de colher o depoimento de ex-executivos da Odebrecht. “Ele é um relator diligente e está procurando analisar as questões da maneira mais completa possível. Mas é importante salientar que o TSE analisa a questão eleitoral, e a Lava-Jato, aspectos penais do processo. Confiamos na Justiça”, salientou.

O deputado paranaense tem uma visão um pouco mais amena de Herman que a expressa por outros interlocutores de Michel Temer. Para esse grupo, o relator do TSE, ao envolver os delatores da Odebrecht no processo eleitoral, está se embrenhando em searas que deviam ficar restritas ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, relator da Lava-Jato.

Eles citam dois exemplos. Um deles seria a polêmica em torno do jantar no Palácio do Jaburu, em 2014, com a presença de Temer; do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha; do ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht; e do ex-diretor de relações institucionais da empresa, Cláudio Melo Filho.

No encontro, teria sido acertada a doação de R$ 10 milhões da empreiteira para as campanhas do PMDB — R$ 6 milhões para Paulo Skaff ao governo de São Paulo e outros R$ 4 milhões para candidatos escolhidos por Padilha. As contradições entre Melo Filho e Marcelo são gritantes e levaram, inclusive, o ministro-relator a convocar uma acareação amanhã entre os ex-executivos da empresa. “Nada desses R$ 10 milhões foi destinado à chapa Dilma-Temer, que está sob análise no TSE. Por que a celeuma em uma instância que não deveria analisar este assunto?”, questionou um político.

Herman convocou não apenas Marcelo e Cláudio Melo para uma acareação, a ser realizada por videoconferência amanhã. Também participarão da acareação o ex-diretor do departamento de operações estruturadas — responsável pelo pagamento de propinas — Hilberto Silva e o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedito Júnior. BJ, como é conhecido, afirmou ao TSE ter repassado R$ 9 milhões, por caixa 2, para campanhas do PSDB, a pedido do presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG).

Benedito teve de ser interrompido em sua intervenção. Ele chegou a discorrer sobre o tema por, no máximo, dois minutos, já que o PSDB não está sob análise do TSE. O partido, inclusive, foi autor da ação que pediu a cassação da chapa vitoriosa nas eleições de 2014. Mas foi convocado para a acareação de amanhã. As palavras de BJ obrigaram os tucanos a se defender. Aécio divulgou nota afirmando que todas as doações recebidas pelo partido foram legais.

E, durante jantar realizado na noite de terça-feira, em Brasília, reverberaram os argumentos de Fernando Henrique Cardoso quanto às diferenças de Caixa 2 para quem se beneficiou materialmente dos atos de corrupção na Petrobras. Além da acareação, Herman marcou para amanhã o depoimento de José de Carvalho Filho, citado por Cláudio Melo Filho como o responsável por operacionalizar o repasse para o ministro Eliseu Padilha dos R$ 4 milhões doados pela Odebrecht para campanhas do PMDB.

Por: Correio braziliense

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